Perfume caro

Vários registros, nos quatro evangelhos, mostram que Jesus ensinava seus discípulos sobre o dever de ajudar aos mais necessitados, aos pobres, aqueles que estão enfermos ou famintos. Provavelmente, por conta destes ensinos, os discípulos de Jesus censuraram aquela mulher de Betânia que derramou um vaso de alabastro, um perfume muito caro, sobre os cabelos de Jesus. Segundo o próprio ensino de Cristo, aquele perfume caro poderia ser vendido e transformado em recurso para ajudar muitos necessitados.

Entretanto, Jesus repreendeu seus discípulos ao afirmar que a ação da mulher estava correta, pois naquele contexto, na iminência de sua morte sacrificial, aquele “desperdício” foi justificado por ter sido um ato propício de reverencia e adoração. Uma respeitosa despedida.

Este é um dos aspectos mais cativantes e complexos da fé Cristã. Não basta seguir o Evangelho de Cristo como uma série de normas e regulamentos. É preciso usar a razão e a sensibilidade a todo momento. Neste Reino, instaurado por Cristo, é preciso avaliar texto e contexto, é preciso saber as linhas e também sentir as entrelinhas. É preciso ter a mente e o coração sensíveis e atentos para compreender a ação do Espírito de Deus naquele momento específico. Tentar olhar as circunstâncias através das lentes de Cristo, tendo sua Palavra como alicerce da consciência, pois o Reino de Deus é um reino de consciência que atua fundamentado, não em regras e normas, mas em valores sagrados: fé, esperança e amor.

Na história da fé cristã temos criado e seguido diversas vertentes. Algumas focadas apenas em ação social e caridade, outras apenas no louvor e na adoração. Uns são fundamentalistas, outros flertam com o relativismo secular. Afinal, não é fácil ser cristão. Como disse, é preciso raciocinar e sentir, é preciso ter fé e amar. É preciso partilhar o pão com o faminto. É preciso adorar a Cristo em espírito e verdade.

As cartilhas prontas e simplistas não funcionam, por outro lado, o relativismo também não pode ser adotado. É preciso viver conectado com o Mestre, com o autor da fé, para não se perder em vertentes e descaminhos. É preciso seguir o caminho daquela anônima mulher que derramou seu perfume caríssimo sobre Jesus por ter compreendido, pela ação do Espírito Santo, que ele não era apenas mais um Rabi, filho de um carpinteiro. Ele era o Cristo, o Deus feito homem. Aquele perfume poderia alimentar muitos famintos, mas ele foi derramado sobre aquele que a todos redime da dor, da fome, da sede e da morte.

Então, ele não foi derramado em vão.

Baseado no texto de Mateus 26.6-13

Asas e Gaiolas


"Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do voo. Pássaros engaiolados são pássaros sob controle. Engaiolados, o seu dono pode levá-los para onde quiser. Pássaros engaiolados sempre têm um dono. 

Deixaram de ser pássaros. 
Porque a essência dos pássaros é o voo.

Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são pássaros em voo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar. Ensinar o voo, isso elas não podem fazer, porque o voo já nasce dentro dos pássaros. 

O voo não pode ser ensinado. 
Só pode ser encorajado."

Rubem Alves

Só o Suficiente

Neste início de ano, tenho sentido claramente a presença de Deus em minha vida e em minha família. Nos mínimos detalhes, ele tem se revelado atuante e presente.

Ao ler este primeiro parágrafo, você pode ter concluído que tudo vai bem comigo e com minha família. Que Deus tem abençoado tudo que fazemos e que, por isso, não temos problemas. Se estou certo, você está errado, porque não é exatamente isso que quis dizer.

Se você voltar a ler o primeiro parágrafo vai perceber que a única afirmação que fiz é que Deus tem sido presente. Não disse que tudo vai bem, nem que todos os planos estão dando certo. A presença de Deus não implica, necessariamente, ausência de perigos e problemas. A Sua Santa presença não nos abstém das adversidades e intempéries da vida real.

Nós, cristãos, sofremos, adoecemos, brigamos, perdemos, somos injustiçados e também ofendemos outros com nossos deslizes e omissões. Vivemos no presente e participamos dos governos corruptos, da violência nas ruas, das altas dos juros, das ondas de epidemias, da escassez de água e honestidade e tudo mais que nos cerca, que falta e que sobra. Foi assim com os personagens do passado, continua sendo assim com a gente e será assim com os próximos.

Entretanto, nós cristãos podemos desfrutar dessa presença singular. Deste sentir sagrado. Este perceber que nos basta. Aqui e ali. Por vezes de modo discreto, em outras escancarado. Como cheiro de chuva que vem chegando. Como aroma de tempero que cai na panela. Invisível, mas presente e suficiente. Estar de bem com a vida e sentir esta presença é o vislumbre do paraíso. Por outro lado, estar triste e frustrado e sentir essa presença é bom também, porque ela é suficiente como Deus é suficiente. Por isso seu nome é EU SOU, porque O Verbo basta, mesmo sem ter adjetivos.

Mas de onde veio esta ideia, mesmo?
Ah, lembrei!
Ela surgiu em meio a uma oração, pelos cristãos que sofrem na Nigéria e no Estado Islâmico.
O que pedir para aqueles cristãos numa circunstância daquelas?
Pedir o que basta! Pedir a presença Dele, lá com eles. No livramento, no sofrimento, na libertação, na fuga, no aprisionamento, no choro, na dor, na providência, no ódio, na vida e na morte.
Sua presença suficiente para aqueles que Nele creem e que por Ele sofrem até a morte.

Deus, peço que esteja presente e seja suficiente neles.
Em Cristo Jesus,
Amém.

Oh Tempo rei!?

Há cerca de 2.730 anos, Acaz foi rei de Judá.
Ele reinou apenas uns 16 anos que foram atribulados por muitas batalhas e invasões. Neste mesmo período, Isaías foi profeta e no meio de uma destas tribulações, na eminência de uma invasão inimiga, Deus envia a Isaías esta mensagem a respeito do Messias, mais conhecido como Cristo Jesus:

Por isso o Senhor mesmo lhes dará um sinal: a virgem ficará grávida e dará à luz um filho, e o chamará Emanuel. - Isaías 7:14

Fico a imaginar o semblante do Rei Acaz após ouvir aquelas palavras de Isaías.
Uma virgem? Um menino? Como? Quando?
Ora, quando! Daqui há apenas 750 anos. Não, Isaías não recebeu essa informação, mas se tivesse recebido, Acaz poderia questionar: O que isso tem a ver comigo? Estarei morto daqui há algumas décadas. Todos nós estaremos!

Reestudar sobre este momento histórico, me fez refletir novamente sobre o tempo de Deus em relação ao nosso tempo. Setecentos e cinquenta anos! O que é a nossa vida dentro deste tempo de espera entre uma das muitas promessas messiânicas e a sua concretização na história? Mais do que isso, como Deus vê nossa vida diante de sua eternidade? Como ele vê nossos poucos anos de existência? Nosso surgimento? Talvez, como um acender e apagar de luzes em uma árvore de Natal, numa sala de estar. Qual é o valor do acender efêmero de uma destas luzes para a mente do Criador?

Por quatrocentos anos, entre o Velho Testamento e o Novo, Deus cessou qualquer profecia. Ele se calou por 4 séculos, período em que milhares de vidas acenderam e apagaram às cegas por este mundo escuro, repleto de domínios de reis tiranos e devastadores. As luzes acendiam e apagavam, presas ao tempo: o mais tirano de todos os reis. - Tempo Rei! Oh Tempo Rei! Oh Tempo Rei! - diz o poeta Gilberto Gil.

Porém, depois de muitas luzes, o verdadeiro Rei chegou e veio menino, preso ao tempo como nós. Experimentou, no tempo nosso, a fragilidade da vida humana. O acender físico da juventude e o despertar da consciência adulta. Experimentou com seus pais a imparcialidade do tempo em nos envelhecer. Provou dos dias e das horas finitas e foi filho do homem, como só um Deus poderia ter sido. Ele esteve entre nós por pequenos trinta e três anos e se foi. Hoje, livre do tempo, solto na eternidade atemporal de sua existência, mas com a experiência de nosso frágil acender e apagar.

"Ele estenderá o seu domínio, e haverá paz sem fim sobre o trono de Davi e sobre o seu reino, estabelecido e mantido com justiça e retidão, desde agora e para sempre. O zelo do Senhor dos Exércitos fará isso". - Isaías 9:7

Quanto tempo mais para cantar esta canção por completo?
Quantos séculos ou milênios ainda passarão até que a profecia se cumpra por completo?
Quantas luzes acenderão e apagarão até que haja paz sobre Israel e todo mundo?

No primeiro capítulo do livro de Atos há o registro de que os discípulos de Cristo lhe questionaram sobre isso. Nesta ocasião Jesus deu a seguinte resposta:

"Não lhes compete saber os tempos ou as datas que o Pai estabeleceu pela sua própria autoridade. - Atos 1:7

Sendo assim, ficamos aqui, cravados no tempo, aguardando a renovação de todas as luzes, acessas e apagadas, em Cristo Jesus, nosso Senhor.
...



"Tempo rei, ó tempo rei, ó tempo rei
Transformai as velhas formas do viver
Ensinai-me, ó Pai, o que eu ainda não sei"
Gilberto Gil

Ledo Engano

A tal Black Friday chegou de novo aqui nas terras Tupi e mesmo com todo receio de que o Brasil vai sucumbir, financeiramente, em 2015, todos nós fomos às compras, seja na internet, seja nas antigas e ultrapassadas lojas físicas com seus inconvenientes vendedores.
Lá estava eu e a patroa, em um Shopping de Campinas, tentando filar algum super desconto. Com uma superficial olhada nas lojas, já é possível entender que não há nada de super na sexta-feira negra do Brasil. São as mesmas promoções de sempre, na qual a margem de lucro dos lojistas fica bem protegida da voracidade dos consumidores.
Cada consumidor tem seus nichos de consumo. Os meus são os eletroeletrônicos e produtos de informática. Smartphones, Televisores, Notebooks, Ultrabooks e toda sorte de brinquedos desta categoria. Como os gostos da patroa já são outros, resolvemos nos separar para a caçada ser mais produtiva.
Pescoçando em uma loja repleta destes aparelhos, encontrei um notebook na medida e com algumas centenas de Reais de desconto. Era a minha chance! Tudo estava ao meu favor.
Foi quando a pergunta chata brotou na mente como um alerta do Windows: - Você realmente precisa deste negócio?
- Sim, eu preciso! – respondi prontamente.
- Meu notebook está velho e logo vai pifar. – argumentei.
- Ele está funcionando e muito bem! – a voz retrucou.
- É verdade. Não preciso dele agora.
Que desilusão! Eu não precisava do notebook. Diante disso, comecei andar na mesma loja à procura de algo que eu precisasse.
- Um celular novo e mais potente?
- Não precisa.
- Uma televisão maior, com certeza?
- Não precisa.
Um aparelho de som?
- Não precisa.
A constatação de que eu não precisava de nada foi estranha. Me senti anormal. Sentei em um banco no centro de uma praça de Conveniência do Shopping, degustando aquele sentimento de frustração e anomalia que me levou direto à única coisa que estava me faltando naquele momento:
- Gratidão!
- Isso mesmo. Ser grato por não precisar de nada!
Aquela sensação de ter rodado todo mundo em busca do Santo Graal, quando o Graal estava debaixo do nariz.
Estava comigo um processador de legumes que a Ju comprou na promoção e também uma garrafa de água mineral ainda cheia.
- Estou com sede.

Bebi a água e nada mais me faltava.

... Não me envolvo com coisas grandiosas nem maravilhosas demais para mim.
De fato, acalmei e tranquilizei a minha alma. Sou como uma criança recém-amamentada por sua mãe; a minha alma é como essa criança.
Ponha a sua esperança no Senhor, ó Israel, desde agora e para sempre!
           Salmos 131:1-3

Vídeo de Lançamento do Livro Transformai-vos

Confiram este vídeo especial gravado e editado com carinho pelo meu amigo e irmão de fé, Anderson Vieira, que passa um gostinho de como foi especial o Lançamento do Livro Transformai-vos.



Livro de Assinaturas do Lançamento do Livro

Agradeço a todos os amigos e parentes especiais que estiveram presentes no Lançamento do Livro Transformai-vos e deixaram seu importante registro no livro de assinaturas.

Deus abençoe a vida de todos vocês!
Transformai-vos!


Vintage

Escrito por Elder Nunes dos Santos

Depois de alguns anos trabalhando com moda, alguns conceitos e particularidades desse negócio ainda me surpreendem.
Talvez seja porque a moda é mutante, ou ainda, porque sempre volta às origens. Usamos hoje o estilo de roupa que nossos avós usavam, só que agora o chamamos de “vintage”. As cores, as modelagens, os padrões de tecido, tudo entra, sai e volta na moda.
A moda também atinge as nossas casas, nossa decoração e até nossas panelas. Hoje tá na moda panelas de cores vibrantes como o vermelho, amarelo e verde e, quem diria, até nossa cozinha sai e entra na moda!
Estamos imersos em um mundo que dita a moda, vivemos cercados por ela, e às vezes a moda faz com que mudemos de atitude e até mesmo de gosto.

Aquietai-vos

Escrito por Silvana Jacob Cury Santos

“Não tenha medo, tão somente creia...” - Lucas 8.50

“Sejam fortes e corajosos, todos vocês que esperam no Senhor!” - Salmos 31.24

Por que temos tanta dificuldade em viver de acordo com estas palavras?
Por que, simplesmente, não conseguimos nos acalmar, não ter medo, não esperar em Deus em momentos difíceis?
Por que nos antecipamos, nos degastamos, nos desesperamos até a exaustão tentando, muitas vezes, solucionar nossos próprios problemas?
Por que queremos tanto controlar nossas próprias vidas?
Ou, será que apenas EU questiono estas coisas?
Você deve imaginar que tenho uma boa resposta para todas estas perguntas. Desculpe-me, amigo, mas decididamente não tenho...

A Mesa da Fé

Daudi mora em um pequeno vilarejo no Leste da África, com sua esposa Leiza e sua filha Niara que há alguns meses está adoecida e os curandeiros locais não conseguem descobrir que doença ela tem. Daudi trabalha como carpinteiro, profissão que aprendeu com seu pai e a exerce com muito zelo.
Certo dia ele recebeu o pedido de um novo morador, estrangeiro, que lhe fez uma encomenda inusitada. Ele pediu que Daudi fabricasse uma mesa em miniatura para ser colocada sobre um móvel.
Daudi achou aquele pedido mais esquisito ainda, quando o cliente lhe pediu para talhar em cada pé desta pequena mesa, uma frase distinta, em um idioma que ele não conhecia. Sobre a mesa deveria ser talhada apenas uma palavra. Ele ficou curioso, mas como era tímido, não fez nenhuma pergunta àquele cliente sério e de poucas palavras.

Perseguido pela Esperança

Tudo começou após ter sido confrontado por um texto de Carl Gustav Jung no qual ele afirma que somos especialistas em esconder de nós mesmos, aquilo que realmente somos. Alguns dias depois de ler este texto, pegamos estrada rumo ao interiorzão do estado de São Paulo, para curtir uns dias de descanso e tranquilidade. Levei este texto em minha mente, com o objetivo de empenhar algumas horas em um trabalho de arqueologia pessoal. O problema é que, mesmo nestes dias de descanso, fica difícil encontrar um momento para praticar este tipo de autoterapia. Tem sempre um lugar para ir ou algo a fazer. Entretanto, consegui cavar alguns minutos de ócio real nesta viagem. As perguntas incitadas por Jung eram: - Do que você é feito afinal? - Quais sentimentos preenchem seu coração, por trás de toda a teatralidade do Ego? Quem é você?

Livro Transformai-vos


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Foram 10 anos escrevendo reflexões e percepções!
Como registrado no Livro, não há muito compromisso com análises sintáticas e morfológicas, por outro lado, há um compromisso forte com o conceito e o aprendizado adquirido com os pés no chão da vida e os olhos voltados para o Criador, pois Nele somos frágeis vasos de barro, em um constante processo de transformação.

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Universo paralelo

Escrito por Jean Marcel

Este não é um texto de ficção científica ou com qualquer pretensão na área da física. Mas há poucos dias percebi que existem universos paralelos.

Enquanto escrevo, meu filho chega aos seus 20 dias de vida. Nas duas primeiras semanas estávamos num desses buracos no tempo. Percebi isso ao quebrar uma rotina de acordar, cuidar, dormir, cuidar, comer, cuidar, cochilar, cuidar. Ao sair para comprar uma refeição para o casal, liguei o rádio e lá estava ela, a propaganda política. Lembrei-me das eleições.  Em um ano com ânimos acirrados pelo pleito, com grandes reviravoltas, Pedro nasceu. Os 15 dias que se seguiram nos engoliram completamente. Não nos lembrávamos de nada a não ser resolver  o que nos apresentava todos os dias. Todos os que são pais sabem como é.