Universo paralelo

Escrito por Jean Marcel

Este não é um texto de ficção científica ou com qualquer pretensão na área da física. Mas há poucos dias percebi que existem universos paralelos.

Enquanto escrevo, meu filho chega aos seus 20 dias de vida. Nas duas primeiras semanas estávamos num desses buracos no tempo. Percebi isso ao quebrar uma rotina de acordar, cuidar, dormir, cuidar, comer, cuidar, cochilar, cuidar. Ao sair para comprar uma refeição para o casal, liguei o rádio e lá estava ela, a propaganda política. Lembrei-me das eleições.  Em um ano com ânimos acirrados pelo pleito, com grandes reviravoltas, Pedro nasceu. Os 15 dias que se seguiram nos engoliram completamente. Não nos lembrávamos de nada a não ser resolver  o que nos apresentava todos os dias. Todos os que são pais sabem como é.

C"est la Vie"

por Geovanete P. Basílio

C"est la vie"...
Frase pequena que desperta inspiração para muitas músicas... E o interessante que, sendo francesa, atravessou várias fronteiras e tornou-se um "esperanto", pois é usada por pessoas do mundo inteiro.
Mas... qual seria o verdadeiro significado desta expressão tão usada?
Um conformismo?
Uma constatação racional dos fatos ou um sádico consentimento dos acontecimentos?

Um homem que desejou ser pai

Por Jucinei Pinheiro

Queria falar um pouco de um homem que desejou ser Pai.
Eu e meu marido, Lucas Pedro, nos casamos bem novinhos. E isso já faz 15 anos!
Na época, só queríamos estar juntos e nada mais, não fazíamos planos. Só tocávamos nossas vidas como um casal normal. Trabalhando, mantendo a casa...
Indo pro terceiro ano de casamento, resolvi voltar a estudar, começar uma faculdade. O Lucas trabalhando, mas sempre insatisfeito com sua vida profissional.

Avante velha Galé!


Sigo sem grandes pretensões.
Vou vivendo, sem pressa de chegar em algum lugar.
Quanto tempo tenho para gozar do que me foi emprestado?
Deveria sair à procura de grandes coisas?
Não, isso só aumentaria a perda.

Litteratura - Legatus - Fides

Pouco eu sabia sobre Ariano Suassuna, mas neste domingo assisti uma entrevista, de 2007, na qual ele foi questionado sobre a morte. Pergunta esta, que ele respondeu com o primor de um poeta: 'Literatura (litteratura) é uma forma de protestar contra a morte'.

Poucos dias antes de Ariano Suassuna morrer, a cidade de Campinas perdeu um de seus mais consagrados poetas: Rubem Alves. Eu o conheci já com cabelos brancos, mas ainda jovem e forte, em um lançamento de uma série de livros infantis. Ele foi um dos responsáveis pelo meu fascínio por livros e literatura. Assim que soube de sua morte, confesso que não fiquei tão triste, pois um autor como Rubem Alves protesta contra morte por muitas décadas e até séculos. Autores como Rubem e Ariano tem o poder de causar fascínio mesmo após a morte. Eles continuam ensinando, editando e transformando mentes, por tempo indeterminado.

Agridoce

Meu filho caçula, Vitor, tem tido dificuldades para dormir. Mais uma daquelas muitas mudanças de fases das crianças. Numa destas noites, eu estava deitado ao lado dele, quando ele pediu que eu segurasse sua mão. É muito prazeroso saber que nossos filhos gostam da nossa presença, que gostam do nosso contato físico e emocional. Porém, eu disse não para o seu pedido. Disse que estava ao seu lado, mas que ele precisava conseguir dormir sozinho novamente. Devo confessar que me senti um pouco maldoso por não estender minha mão, mas também havia uma sensação de; “estou fazendo a coisa certa”. Afinal, eu já estava ao seu lado. Senti que mais do que isso, já seria mimo demais.

Meus 36 anos!

por Jean Marcel - Blog Oqéisso

"É triste a noite sem conversa.
Os dias são lentos sem café
Viver é impossível sem o Mestre
A cabeça não aguenta sem imaginar

A alma não existe sem acordes
Os neurônios não funcionam sem letras pra juntar
A vida não anda sem moleques
O mundo não se move sem a gente perguntar

Discordando de Coélet

Kohelet, ou Coélet significa preletor, ou pregador. É o nome hebraico do livro de Eclesiastes, um dos livros poéticos presentes na Bíblia. Alguns atribuem sua autoria ao Rei Salomão, outros discordam disso. O que todos concordam é que foi escrito por um grande sábio da época.

Sempre gostei muito deste livro, por seu cru-realismo sobre a vida. Em suas linhas, o autor desmonta as nossas grandes ilusões sobre a vida, para apresentar uma realidade sóbria e lúcida, onde o temor a Deus deve ser nosso principal objetivo.

Um dos textos que sempre me intrigou neste livro, é este:
É melhor ir a uma casa onde há luto do que a uma casa em festa, pois a morte é o destino de todos; os vivos devem levar isso a sério!
- Eclesiastes 7:2

Ordem e Regresso

Fique tranquilo! Não é mais um texto sobre a situação política do Brasil. Infelizmente não tenho aptidão para falar sobre este tema, diante do cenário atual. Política é um tema “macro”, e todos os assuntos deste tipo, afetam indiretamente nossas vidas. Porém, este texto é sobre um tema “micro”, sobre vida pessoal que afeta o macro.

Desde dezembro do ano passado, voltei a praticar, semanalmente, uma de minhas paixões: a natação. Consegui encaixar esta prática prazerosa e saudável, com muito esforço mental, no horário de almoço de um dos dias úteis da semana. O interessante é que sempre que estou me dirigindo ao clube, parte de minha mente, talvez a mais responsável, fica repetindo insistentemente a seguinte frase: - Isso é loucura! Você está com muito serviço, alguns atrasados, e está indo nadar? É um irresponsável mesmo!

O amor do Filho

Por Jucinei Pinheiro

Às vésperas de mais um Dia das Mães, tenho refletido sobre um tema que está na minha cabeça desde o dia em que eu, meu marido e meus filhos, fomos ao cinema assistir ao filme - O Filho de Deus, no feriado da Páscoa.

Uma das cenas que me chamou a atenção foi aquela na qual Maria acompanha Jesus, seu filho, passando por todo aquele sofrimento até a cruz. Me coloquei no lugar dela, como mãe, vendo meu próprio filho, gerado no meu ventre, criado, educado com todo zelo, agora passando por tudo aquilo injustamente. Porém, o que me surpreendeu mais nesta cena, foi ver Jesus olhar pra Maria, como filho, e ver sua mãe chorando, sem poder descer daquela Cruz, para a consolar.  Não por falta de poder, mas por respeito à sua missão, ao seu propósito.

Atemporal

Estávamos voltando de um culto de domingo, quando meu filho mais velho disse: - Pai, já estou enjoado das historinhas bíblicas que a gente ouve nas aulinhas. Rapidamente, o mais novo apoiou, dizendo: - É verdade! São sempre as mesmas histórias. Eu deveria ficar preocupado, mas a verdade é que eu também passei por isso no final da infância. Os mesmos personagens, passando pelas mesmas situações e também os mesmos ensinamentos que nós já sabíamos.

Fuga e Busca

Por que viajamos?

Esta pergunta perambulou minha cabeça enquanto eu e a Ju organizávamos as malas no porta-malas do carro, antes de partir. Uma viagem simples, nada de agência de viagens e tours complicados. Daquelas que se enfia tudo no carro, com planejamento mínimo, grana mínima e muita vontade.

Mas vontade do quê?