C"est la Vie"

por Geovanete P. Basílio

C"est la vie"...
Frase pequena que desperta inspiração para muitas músicas... E o interessante que, sendo francesa, atravessou várias fronteiras e tornou-se um "esperanto", pois é usada por pessoas do mundo inteiro.
Mas... qual seria o verdadeiro significado desta expressão tão usada?
Um conformismo?
Uma constatação racional dos fatos ou um sádico consentimento dos acontecimentos?
Pelo dicionário, é uma frase que indica um conformismo: "A vida é assim."
Sim. Porém, longe de ser só um conformismo, esta minúscula sentença, não é categórica, mas carrega em si o sentimento de quem a expressa.
"C'est la vie", como conformismo, é a afirmação de uma mente e um coração que, ao constatar um fato que os atingiu, não têm coragem de reagir e tentar mudar a circunstância. Sofre, mas aceita como uma fatalidade e pronto.
A constatação racional sai de um coração indiferente, com ausência de sentimentos,  sem se importar com as consequências dos fatos e sem que algo o afete. Acontece... é assim mesmo... normal...
Quando o rancor, o sentimento nutrido de vingança alimenta a alma, esta expressão pode-se tornar um consentimento, uma aprovação sádica do pior acontecido.
Mas... "c'est la vie"- "é a vida" ou " a vida é assim" - também pode ser uma demonstração otimista pelo o que a Vida, em si, representa: uma exaltação à exuberância de tudo o que é fôlego, natureza, pulsação ou tudo o que demonstra a criação artística e amorosa de um Ser Maior.
 Sentir, sofrer, amar, chorar, rezar, cantar e ... viver!!
Olhar uma flor, olhar o mar, um entardecer, uma criança e declarar: "Cest la Vie!"

Gonzaguinha, com sua poesia, declarou sua admiração pela vida através destes versos:

"Viver!
E não ter a vergonha de ser feliz!
Cantar e cantar e cantar
A beleza de ser um eterno aprendiz"

Há quem fale que é um divino mistério profundo
É o sopro do Criador numa atitude repleta de amor
...Eu sei que a vida devia ser bem melhor e será!
Mas isso não impede que eu repita
É bonita  e é bonita!

...Eu fico com a pureza da resposta das crianças

É a vida! É bonita!!
E é bonita!!

Um homem que desejou ser pai

Por Jucinei Pinheiro

Queria falar um pouco de um homem que desejou ser Pai.
Eu e meu marido, Lucas Pedro, nos casamos bem novinhos. E isso já faz 15 anos!
Na época, só queríamos estar juntos e nada mais, não fazíamos planos. Só tocávamos nossas vidas como um casal normal. Trabalhando, mantendo a casa...
Indo pro terceiro ano de casamento, resolvi voltar a estudar, começar uma faculdade. O Lucas trabalhando, mas sempre insatisfeito com sua vida profissional.
Até que em 2 de junho de 2002, sofremos um trágico acidente de carro, quando voltávamos de uma viagem de férias. Estava toda minha família em uma Van e era o dia do meu aniversário. E por um milagre todos sobreviveram, porém, meu pai, minha mãe e o Lucas tiveram ferimentos graves.
Daí começa a história de um homem que desejou ser Pai. O Lucas teve seu intestino perfurado, teve que passar por vários procedimentos cirúrgicos. Teve uma infecção muito forte, tendo que ficar em isolamento no hospital... Enfim... foram 42 dias de luta.
Durante esse período, todas as vezes que eu ia visitá-lo, ele me falava que quando ficasse bom de novo, ele queria ter um filho. Para mim foi a primeira vez que começamos a falar sobre isso.
No momento eu nem dava bola para esse desejo dele, eu só pensava em ele ficar bom logo. Mas, passava alguns dias e lá no hospital, entre uma cirurgia e outra, quando ele me via tocava nesse assunto.Só sei que depois que ele teve alta, alguns meses depois eu engravidei. Foi muito rápido. Rsrs
Mas foi a hora que Deus quis. No ano seguinte no dia 11 de junho ( mês em que sofremos o acidente, 2 de junho meu aniversário e 23 de junho aniversário do Lucas). Exatamente um ano depois, veio o nosso presente, Davi! E o desejo do Lucas foi realizado, com a graça de Deus, que o fez ser Pai.
E como o Lucas fez esse papel tão bem e ainda o faz, 3 anos depois nasceu o Vitor, que veio para preencher mais o coração desse Pai, que é tão atencioso, amoroso, servo de Deus, que tenta com todo seus esforços educar e amar seus filhos.
Com certeza o Lucas é o herói deles.

Avante velha Galé!


Sigo sem grandes pretensões.
Vou vivendo, sem pressa de chegar em algum lugar.
Quanto tempo tenho para gozar do que me foi emprestado?
Deveria sair à procura de grandes coisas?
Não, isso só aumentaria a perda.
Sinto que, quanto mais vivo, menos coisas tenho a perder.
Por este motivo, não sou o modelo “ideal” de criatura.
Mas, assim mesmo, vou indo.
Sinto-me satisfeito com as coisas que a vida me propôs.
Não sou capaz de aumentar um centímetro à minha estatura.
Então, o que posso fazer quanto às grandes coisas?
Deixo que a Galé parta, mar adentro, pois existe uma força maior a guiá-la.
Sinto que, se eu tomar o leme, a pobre Galé irá naufragar.
Sou apenas um galeriano a remar.
Logo mais, estaremos em terra firme.
Avante velha Galé!

Escrito por Ronald dos Santos
em 22/04/2003

Litteratura - Legatus - Fides

Pouco eu sabia sobre Ariano Suassuna, mas neste domingo assisti uma entrevista, de 2007, na qual ele foi questionado sobre a morte. Pergunta esta, que ele respondeu com o primor de um poeta: 'Literatura (litteratura) é uma forma de protestar contra a morte'.

Poucos dias antes de Ariano Suassuna morrer, a cidade de Campinas perdeu um de seus mais consagrados poetas: Rubem Alves. Eu o conheci já com cabelos brancos, mas ainda jovem e forte, em um lançamento de uma série de livros infantis. Ele foi um dos responsáveis pelo meu fascínio por livros e literatura. Assim que soube de sua morte, confesso que não fiquei tão triste, pois um autor como Rubem Alves protesta contra morte por muitas décadas e até séculos. Autores como Rubem e Ariano tem o poder de causar fascínio mesmo após a morte. Eles continuam ensinando, editando e transformando mentes, por tempo indeterminado.

Eles deixam algo de valor para benefício de outras pessoas. Eles deixam seu legado (legatus). Uma contribuição permanente e possível de ser construída por seres de vidas tão curtas como nós.

Pensando neste tema e nestes dois autores, me lembrei que no meio cristão evangélico, existe um falso dilema ou uma falsa dicotomia, entre a teoria e a prática da vida cristã. Aqueles que escrevem e ensinam sobre fé (Fides) e espiritualidade cristã, são muitas vezes, tachados de teóricos que só sabem falar, mas não praticam as boas obras. Digo, falsa dicotomia, pois escrever e ensinar a fé cristã é uma das práticas(obras) mais importantes, realizadas na história da fé cristã. A própria Bíblia, a Palavra de Deus, foi construída graças a esta prática solitária de muitos autores, inspirados por Deus.

Escrever sobre a fé cristã é, em si, um ato de fé. Nesta escrita está contida a crença de que estas palavras alcançarão e transformarão mentes alheias e desconhecidas, com a poderosa mensagem do Evangelho de Cristo. Mais ainda, está contida nesta escrita, a crença de que estas pueris e falhas palavras, serão usadas pelo Santo Espírito de Deus para propagar o Reino de Deus. Sim! Escrever sobre a fé cristã é uma prática de fé. É a ação de construir um legado, sobre o que nós, cristãos, consideramos O Caminho, a Verdade e a Vida: Cristo Jesus, o verbo encarnado.


“... eu lhes escrevi porque vocês conhecem aquele que é desde o princípio.” 1 João 2:13a

Agridoce

Meu filho caçula, Vitor, tem tido dificuldades para dormir. Mais uma daquelas muitas mudanças de fases das crianças. Numa destas noites, eu estava deitado ao lado dele, quando ele pediu que eu segurasse sua mão. É muito prazeroso saber que nossos filhos gostam da nossa presença, que gostam do nosso contato físico e emocional. Porém, eu disse não para o seu pedido. Disse que estava ao seu lado, mas que ele precisava conseguir dormir sozinho novamente. Devo confessar que me senti um pouco maldoso por não estender minha mão, mas também havia uma sensação de; “estou fazendo a coisa certa”. Afinal, eu já estava ao seu lado. Senti que mais do que isso, já seria mimo demais.

Tenho me deparado com este sentir “agridoce” em muitas áreas da minha vida: educação dos filhos, casamento, trabalho, amizades e etc. Uma mistura de azedo com doce. Um desagradar, agradando. Um ajudar, sendo chato. Uma felicidade tímida, com uma pitada de tristeza moderada. Tenho aprendido, com isso, a encontrar prazeres onde normalmente não buscamos. Como sentir gosto em pagar uma conta de luz, afinal, é pagando ela que se tem acesso a muitos outros recursos. Sentir prazer, não só em conquistar mais um cliente, mas também em prestar um bom serviço, pois assim se mantém o cliente por mais tempo. Sentir prazer em privar os filhos de algumas regalias, pois é assim que se amadurece um coração.

Um paladar infantil sente prazer em gostos simples, já um paladar amadurecido, sente prazer nos sabores mais exóticos. Um ouvido mais maduro, sente prazer em notas dissonantes. Um coração mais maduro vai aprendendo a sentir outros prazeres que misturam aceitação com aprendizado e satisfação com privação. Prazeres agridoces. Prazeres maduros.

Um coração mais maduro, por sua vez, entende um Deus que não é um “Gênio da Lâmpada” pronto para satisfazer nossos desejos. Mas, O Pai que nos constrange em amor e implanta em nós sua Santa Vontade. O Deus que mesmo sendo misericordioso e gracioso, não é leniente e permissivo com nossos erros e desvios de caráter. O Pai que nos ama muito, mas que não negocia com nossos pecados. O Deus que nos aceita, nos livra do apedrejamento, porém, se coloca a nossa frente e nos diz: "Vai e não peques mais."
Um Pai agridoce.

Assim, como diz o Espírito Santo: "Hoje, se vocês ouvirem a sua voz, não endureçam o coração, como na rebelião, durante o tempo de provação no deserto, onde os seus antepassados me tentaram, pondo-me à prova, apesar de, durante quarenta anos, terem visto o que eu fiz.
Hebreus 3:7-9

Meus 36 anos!

por Jean Marcel - Blog Oqéisso

"É triste a noite sem conversa.
Os dias são lentos sem café
Viver é impossível sem o Mestre
A cabeça não aguenta sem imaginar

A alma não existe sem acordes
Os neurônios não funcionam sem letras pra juntar
A vida não anda sem moleques
O mundo não se move sem a gente perguntar

As mãos não se aquietam sem um lápis
É impossível sentir e não se machucar
Aprender não existe sem o erro
Crescer é impossível sem se transformar

Essa é a lida de quem sussurra
Histórias próprias ou alheias
Pra quem acordar é uma aventura
E viver é ter muito mais que apenas sangue nas veias."

Discordando de Coélet

Kohelet, ou Coélet significa preletor, ou pregador. É o nome hebraico do livro de Eclesiastes, um dos livros poéticos presentes na Bíblia. Alguns atribuem sua autoria ao Rei Salomão, outros discordam disso. O que todos concordam é que foi escrito por um grande sábio da época.

Sempre gostei muito deste livro, por seu cru-realismo sobre a vida. Em suas linhas, o autor desmonta as nossas grandes ilusões sobre a vida, para apresentar uma realidade sóbria e lúcida, onde o temor a Deus deve ser nosso principal objetivo.

Um dos textos que sempre me intrigou neste livro, é este:
É melhor ir a uma casa onde há luto do que a uma casa em festa, pois a morte é o destino de todos; os vivos devem levar isso a sério!
- Eclesiastes 7:2

Esse texto é intrigante porque, para nós, tripulantes desta pós-modernidade hedonista, que corre em busca da felicidade a qualquer custo, este ensino é totalmente contraditório. Parece até o texto de um azarado na vida que, por inveja da felicidade alheia, escreve um texto, dizendo que o bom mesmo é estar triste e não viver as alegrias da vida.

Porém, o objetivo do autor de Eclesiastes, seja ele quem tenha sido, não foi desdenhar das alegrias da vida, mas ensinar que os momentos de grande tristeza, são os períodos da jornada que mais nos ensinam. Talvez a mesma lei natural que forja o aço, opere em nossas mentes e almas, nos tornando mais maduros, ao passar por estes vales sombrios da vida.

Há alguns anos, perdi dois sobrinhos, o Ian, durante o parto da minha irmã e a Maria Eduarda, filha da minha cunhada, Nayane. Enterrar pessoas idosas é algo triste, mas aceitável. Enterrar crianças é algo que está além das fronteiras das descrições. Coube a mim a dura tarefa de contar à minha cunhada Nayane, que sua filha havia morrido no parto. Envelheci uns vinte anos naqueles poucos minutos. Foi um daqueles momentos que a gente só se mantém em pé, pela graça de Deus. Depois de algum tempo, fiquei sabendo que minha cunhada precisou de tratamento para me encarar de novo, sem nenhum ressentimento.

Mas, o que aprendemos com o sofrimento, grande Coélet?

Aprendemos que a nossa vida e a das pessoas que amamos, são efêmeras demais. Aprendemos que as pessoas são importantes e que amá-las é a única coisa importante na vida. Em resumo, aprendemos a amar. O aço é forjado para se fortalecer e cortar. Já o ser-humano deve ser forjado para se fortalecer e amar. Este continua sendo o principal mandamento. A regra de ouro. O objetivo final. O supra-sumo do Evangelho de Cristo.

Mas hoje...
Murilo - 05/06/14

Hoje, eu discordo de você, grande Coélet?
Hoje, não acho melhor a casa onde há luto.
Hoje, festejo o nascimento do meu sobrinho Murilo!
Hoje, estou na casa onde há festa!
Hoje, é dia de celebrar!
Hoje, é tempo de amar!
Hoje, seja bem-vindo, pequeno Murilo!




Texto dedicado à família: Felipe, Nayane, Maria Eduarda e Murilo.