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Nelson e Eduardo!

Eduardo tem 33 anos, Nelson deve ter uns 52.
Eduardo tem o cabelo muito sujo e desarrumado, a cara cozida de pinga e os trejeitos de um malandro decaído.Nelson é alto, olhos claros, semblante sério e triste, calado, sem trejeitos, disfarça bem os efeitos do álcool no sangue. Ambos bateram palma em minha casa pedindo comida. Não era grana, era rango, rango pronto. Qualquer coisa.

A Ju, prontamente, preparou dois pratos com arroz, ovo frito e banana. Eu de longe brincava com o Davi observando os dois na calçada. Fui até o portão e comecei a interrogar os dois. Sempre me interesso pela história destas pessoas que desistiram da vida social pra viver na rua, sem roubar, sem matar, sem trabalhar, sem nada. Eduardo se prontifica a falar por ele e por Nelson. Ambos estão na rua pois foram traídos pelas mulheres. Perderam a razão de batalhar por grana pra comida, pro teto, pros filhos, para os brinquedos das crianças. Lá vem os pratos. A Ju me pede para entregar a eles. Lá vou eu! Deixo eles comer tranquilos, sem interrogatório.

Entro em casa pensando no que posso falar, como cristão que sou, para duas pessoas nesta situação. Vou até o quarto onde está minha Bíblia e a abro como se estivesse na loteria, como sempre me ensinaram a não usar a Bíblia. - Ela não é mágica - dizem! - Não é loteria! - insistem. Dane-se! Não tinha o que falar, mas queria acrescentar algo mais na vida deles, além de comida. Contrariando os céticos cristãos, abri em um texto de Jeremias: Carta aos exilados.
Dei um sorriso discreto, de canto de boca, e disse: Obrigado, por estar aqui do meu lado! Com certeza ele entendeu meu agradecimento. - Fale a eles com fé! - me veio a mente. - Explique estes versos no seu contexto histórico: Jeremias 29:11-13 “Pois eu bem sei os planos que estou projetando para vós, diz o Senhor; planos de paz, e não de mal, para vos dar um futuro e uma esperança.

Deixei a Bíblia no armário, voltei lá, peguei os pratos limpos, sentei com eles na calçada, eu e o Davi. Falei o que deveria falar! Me agradeceram muito! O Nelson apertou minha mão bem firme, com gratidão. Eduardo mais atirado, beijou minha mão e se despediu chamando de irmão. Pedi a eles e a Deus que voltem quando estiverem melhores, pois eles ficarão melhores. Creio nisso. Creio em Deus. Creio em Cristo. Tenho lembrado do Eduardo e do Nelson em minhas breves orações, quando peço e agradeço pela minha vida, família e amigos.

Cada um tem sua história, sua jornada e o mais incrível é que todos podem chegar a Deus.
Assim seja!
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2 comentários :

  1. Deus realmente trabalha além das expectativas do ser humano. Devemos estar sempre sensíveis a sua ação graciosa. Parabéns! Continue confiando na obra de Deus através de sua vida.

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  2. Deus tem usado circunstancias como esta para desprogramar todos os sentidos de ceticismo que eu tenho. Muitas vezes, percebo isso em mim, a leitura nos confina para um mundo que não é real, o mundo espiritual é tão real que é palpável e nós ficamos agindo de forma alienada a esse mundo, agindo com as regras que nós mesmo criamos e tentando aprisionar a forma que Deus quer agir (claro que isso não acontece, afinal Deus é soberano, mas deixamos de aproveitar o que Ele quer para nós fazendo isso).

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