A paixão é como Deus



“A paixão é como Deus,
que quando quer me toma todo o pensamento
Dirige os meus movimentos, meu passo é dela
Meu pulso é desse todo poderoso sentimento.”

Rodrigo Maranhão & Pedro Luís

Estas palavras entravam em minha mente pela afinada voz da Maria Rita, tocando no som do meu carro. É uma música bônus escondidinha no final da última faixa do CD - Segundo. Foi paixão à primeira ouvida, até porque, paixão é o próprio sujeito da canção.

Às vésperas do aniversário de um ano do Vitor, eu e a Ju estamos animados com os preparativos; convites, enfeites, comes e bebes e tudo mais. Movidos por esta paixão visceral que temos pelos nossos filhos. Literalmente visceral pois só após ter filhos, pude sentir esta paixão zelosa pelo ser inteiro, não só persona, mas também corpo, pele, músculos e todos tecidos. Sinto isto ao ponto de perder o prazer pelos filmes violentos onde corpos, são facilmente destroçados. Hoje, por paixão, vejo e sinto o meu corpo e dos meus filhos nestas cenas e por isso já não aprecio mais, nem na ficção, muito menos na vida real.

Esta paixão que tem movido o homem, empurrando-o através dos séculos, levantando impérios e os derrubando, também cerca meu “eu”, enraizado num tempo-espaço tão pequeno. Por este sentimento instintivo posso dirigir minha vida por vias erradas, mesmo sentindo-me realizado ou me apaixonar loucamente pelo que é bom e saudável. Posso sentir o gosto de “outras” ou me saciar perpetuamente por “uma”.

No entanto, o maior desafio é quando ela vem tão forte como uma avalanche, de sorte que nos seguramos com todas as forças naquilo que nos norteia, torcendo para a turbulência passar antes que nossas forças se acabem. Nesta avalanche tenho visto muitos irem, também vejo outros ficarem ainda mais fortalecidos.

A verdade é que ela – a paixão – assim como nossas mãos, faz parte de todos nós encarnados, podemos usá-la para viver e definhar, sorrir e prantear. A que sinto pelos meus filhos, minha mulher e minha fé, uso para viver e sorrir, já outras procuro deixá-las passar, mesmo quando com elas quero ir e talvez um dia até vá. Quem sabe?

Termino com um trecho de outra canção também cantada por Maria Rita:

“Não, Nosso Senhor
Não há de ter lançado em movimento terra e céu
Estrelas percorrendo o firmamento em carrossel
Pra circular em torno ao Criador

Ou será que Deus
Que criou nosso desejo é tão cruel
Mostra os vales onde jorra o leite e o mel
E esses vales são de Deus”

Edu Lobo e Chico Buarque
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