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Uma visita ao inconsciente

Eram 5 e qualquer coisa da manhã, levantei, fiz a mamadeira do Vitor ainda dormindo com o mal-estar de um pesadelo ainda rolando em minha cabeça. Foi difícil despertar porque tinha conseguido dormir muito tarde e ainda era muito cedo, mas não dava tempo de dormir mais um pouquinho, tinha que ir ao supermercado 24 horas pra comprar algumas coisas pra casa, ainda dormindo. Estava muito mal com o pesadelo quebrado e inexplicável. Resolvi ficar semi-acordado por uns minutos, resolvi visitar o inconsciente, ver algo que ainda não tinha visto, responder alguma questão de olhos fechados, do meu mundo fechado.
Lá estava um menino em um quarto apagado, iluminado apenas por uma luz que vinha de outro cômodo. Seu semblante era de insegurança, meio doente, encolhido num canto da parede. Ele não chamava ninguém, mas parecia chamar a mãe com os olhos. Ela estava na casa, dava pra ouvir sons de portas de armários de cozinha abrindo e fechando com cuidado. Mas não pude vê-la, só sei que ela não vinha até o quarto, não lhe abraçava como ele parecia pedir em seu silêncio. O pai, não sei onde está, nem se há um, parece haver, não sei. Deveria ter, um pai pra visitar o quarto, acender a luz e dizer: - O que você está fazendo aí? Vamos pra sala, acender esta casa. Para com isso muleque, vamos brincar de esconde-esconde, ou qualquer outra coisa, menos ficar neste quarto esperando a morte da bezerra.
Mas se o pai existe, ele não veio. E logo a casa virou um túmulo, ficou sombria, parecia até um monstro. Não vi mais o menino, tive que ir, não sei no que deu, não sei o que ele fez. Vim embora pra realidade, deixei o menino lá.
Acordei no estacionamento do Extra hipermercado, com a música “Upside down” do Jack Johnson, lembrei do macaco George Curioso que meus filhos adoram. Lembrei dos filhos, lembrei da esposa, lembrei das compras que precisava fazer. Toquei pra frente o dia que começava amanhecer. Posso fazer diferente com meus meninos. Posso ir até o quarto pra dar uma bronca neles ou começar uma brincadeira nova. Posso tocar pra frente, apesar do menino. Será? Creio que sim.
“Eu quero virar a coisa toda de cabeça para baixo
Eu vou encontrar as coisas que eles dizem que não podem ser encontradas
Eu compartilharei este amor que eu encontro com todo mundo
Nós cantaremos e dançaremos às canções da mãe natureza
Eu não quero que este sentimento vá embora” Jack Johnson

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1 comentários :

  1. viagem difícil essa de entrar e sair do quarto... por isso é bom ter ganchos, amarras lá fora...uns 3 já está bom...

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