Maltrapilho, mas aceito!

Nos últimos dias, alguns amigos e parentes me surpreenderam dizendo que estou aparentemente triste e calado. Este tipo de questionamento pode nos alegrar por ver que certas pessoas se importam, mas também pode entristecer mais ainda por nos alertar de que estamos exteriorizando aqueles sentimentos tão bem escondidos no fundo da gaveta. Uma hora ou outra eles rolam pra frente da gaveta e nos damos conta do quanto somos instáveis com nossos valores e propósitos de vida.

Um relacionamento que ontem foi tão vital, hoje não diz mais nada; aquela iniciativa antes tão empolgante, agora empurramos com a barriga. Como o bêbado ao traçar uma linha imaginária a qual ele nunca consegue seguir, definimos nossos alvos, mas caminhamos até eles cambaleando em desânimos e desilusões. Numa destas caminhadas tortuosas, vez ou outra, me sinto indigno de ser chamado cristão, de conhecer o evangelho há tanto tempo, de já ter me convertido há quase vinte anos. Me sinto sem fé, fugindo de conversas espirituais com "super-cristãos" que andam por aí determinando o que Deus irá fazer neste ou naquele momento. Estava precisando de algo que me mostrasse o quanto ainda creio. O quanto ainda creio em mim e o quanto ainda creio em Deus. Então li este trecho abaixo, do livro "O Evangelho Maltrapilho" de Brennan Manning. Estas poucas linhas encheram meus olhos de lágrimas, em um ônibus, voltando pra casa, e me fizeram dizer: - Sua graça é melhor do que a vida!.

Recomendo esta leitura:

"De acordo com uma antiga lenda cristã, um santo certa vez ajoelhou-se e orou: - Caríssimo Deus, tenho um único desejo na vida. Dá-me a graça de jamais ofender-te novamente.Quando ouviu isso, Deus começou a rir em voz alta.- É o que todos pedem. Mas se eu concedesse essa graça a todos, me diga, quem restaria para eu perdoar? Porque a Salvação é pela graça através da fé, creio que entre a incontável multidão em pé diante do trono e do Cordeiro, trajando vestes brancas e trazendo folhas de palmeira nas mãos, verei uma prostituta que com lágrimas nos olhos disse-me que não tinha sido capaz de encontrar outro emprego para sustentar seu filho de dois anos e meio. Verei a mulher que fez um aborto e é assombrada pela culpa e pelo remorso, mas que fez o melhor que podia diante de alternativas cruéis; o homem de negócios assediado pelas dívidas que vendeu sua integridade numa série de transações desesperadas; o clérigo inseguro viciado em aprovação, que nunca desafiou sua congregação do púlpito e ansiava por amor incondicional; o adolescente que foi molestado pelo próprio pai e agora vende seu corpo nas ruas e que, antes de dormir a cada noite depois de seu último programa, sussurra o nome do Deus desconhecido a respeito do qual ouviu na Escola Dominical; aquela pessoa que por décadas chafurdou na lascívia e violentou a terra, e converteu-se no seu leito de morte."Mas como?", perguntamos. A voz então diz: "[Eles] lavaram suas vestiduras e as alvejaram no sangue do Cordeiro". Ali estão eles. Alis estamos nós - a multidão que queria ser fiel, que foi por vezes derrotada, maculada pela vida e vencida pelas provações, trajando as roupas ensangüentadas pelas tribulações da vida, mas, diante de tudo isso, permaneceu apegada à fé.Meus amigos, se isso não lhes parece boa nova, vocês nunca chegaram a compreender o evangelho da graça. "


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