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Naturalmente sobrenatural

Preciso ver meus emails, comprar um celular novo, trocar os pneus do carro, voltar a fazer acade mia, entrar de uma vez no curso de inglês, terminar aquele trabalho de conclusão do curso, voltar a fazer caminhada, desenterrar aquele projeto esquecido, ir na agência pegar informações sobre aquele novo negócio, me inscrever no curso que meu primo me falou, preciso sacar cinquenta reais, o que me lembra que preciso ganhar mais, o que me lembra que preciso procurar um emprego novo, que me lembra que preciso atualizar meu currículum. Preciso visitar meu pai, comprar pilhas pro brinquedo do meu filho e alugar aquele filme que está deixando de ser lançamento. Falta alguma coisa? Claro, sempre falta, preciso trocar o escapamento do carro quando sobrar uma grana, o que vai ser bem difícil, mas preciso porque o barulho já está me lembrando “Velozes e Furiosos”. Mas no fundo acho que estou tomando um rumo meio errado em algumas coisas na minha vida, não sei, tem algo estranho comigo.

Acabei de me auto-diagnosticar com “Síndrome de Insaciedade”, se o termo não existe, acabo de criar. Quero, quero, preciso, preciso, preciso. Certas manhãs me pego frustrado por me achar parado enquanto a fila está andando e os dados rolando. Me surpreendo dominado pelo que o autor Philip Yancey denomina “o domínio das coisas comuns”. Aqueles desejos e necessidades que tem o poder de massificar uma geração inteira, globalmente, tornando-nos todos iguais.

É neste ponto que gosto de fazer o tempo parar, zerar o conta-giros, fechar os olhos, concentrar toda minha atenção a não pensar em nada e abrir meu coração pra Deus. Não se trata de ver para crer, mas de crer para ver, assim é Deus, só se vê, crendo. É neste ponto onde elevo os olhos acima das coisas comuns para experimentar, discretamente, o sobrenatural, sem gemidos, sem corpos rolando pelo chão, sem manifestações espirituais duvidosas, simplesmente uma conexão privada a quatro-paredes, pela qual me encontro com "O Deus invisível" que apesar de não confirmar a leitura do e-mail, parece me responder com um inexplicável conforto pós-oração.

Abro a porta de casa pra sentir a manhã, seu cheiro, seu clima, ainda confortado pela experiência sobrenatural, me sinto acima das coisas comuns, resolvido com o que sou e tenho. Entro no carro, dou partida, a luz da reserva de combustível está acesa, preciso colocar gasolina, preciso pegar o cartão do banco que ficou dentro de casa. Quanto será que eu tenho de saldo na conta? Preciso tirar um extrato.

Cá estou de volta!

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4 comentários :

  1. Olá Lucas!!!
    Bom muito bacana todos esses textos!
    Grande ensinamento eu tirei de muito!!!
    Fiz um blog tb!
    Não tem textos otimos como os seus, porem está lá!
    Até mais!

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  2. Oi Lucas,

    passei aqui rapidinho só pra dizer que achei seu texto na palavra do leitor da Ultimato excelente!
    Acho que vc tocou no ponto certo.

    Depois tenho que gastar tempo aqui no seu Blog,

    Abçs,

    Rogério
    PS: se quiser visite-nos so Blog coletivo: www.fraternus.de

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  3. é...
    os cuidados da vida...
    Ele já nos falava sobre isso.
    O mínimo q podemos fazer é isso, dar uma parada e falr com Deus sobre todo esse atropelo

    JM

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  4. Obrigada pela visita!
    Espero continuar cada vez mais escrevendo, colocando cada vez mais meus pensamentos no papl, ou melhor no blog!

    Até mais!
    Tassi

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