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Tropicália de Elite




E o Urso de Ouro do grande Festival de Cinema de Berlim foi para a nossa Tropa de Elite. Assisti o filme há alguns meses, porém, ainda estou digerindo-o em minha mente. Não consegui me posicionar, pois este filme quebra alguns paradigmas e valores encrustados na mente de brasileiros como eu: Um cara comum, de classe média, estudado, ensinado a ser pregador da liberdade de expressão, criado por pais doidos por liberdade, saindo de um regime militar, usando entorpecentes pra se libertar do autoritarismo da sociedade da época, cantando: "Eu vou! Por que não? Por que não?". Hoje assiste um filme no qual vê seus valores impraticáveis diante dos problemas sociais, do império-narcotráfico que ajudou a contruir fumando maconha de forma displicente. Me apresentam então um novo herói com farda preta e uma caveira na cabeça, subindo o morro pra me salvar do monstro que eu e meus pais ajudaram a parir.

Mas não se trata de uma crítica ao filme, pelo contrário, é um filme bom, real, mais do que isso, é um filme verdadeiro e por isso, não gerador de opiniões, mas calador de opiniões. Talvez, se ele for completamente digerido, seja um marco na mudança de uma sociedade que acreditava na liberdade total, para uma que já vê a necessidade de uma certa repressão. Mostra que é impossível passar a mão na cabeça de um garoto de doze anos com uma R15 na mão, assim como é impossível aceitar uma garota de dezoito anos, abastada, assistindo Malhação enquanto cheira uma carreira, patrocinando a indústria do pó. É um filme complexo, que leva a grande massa a desistir de tentar compreendê-lo, e nisso nosso povo é perito, haja visto as piadas e paródias mostrando que se não deu pra digerir, vamos pelo menos vomitar e rir da própria desgraça. Vamos, então, dançar ao som de rajadas de metralhadoras e disparos de escopetas.

Sinceramente, ainda estou arrotando a "Tropa de Elite", pois ela ter que existir já é motivo de muita tristeza, trata-se então de um mal necessário? Como anti-bióticos? Não sei, este filme travou meu sistema operacional. Surgiu uma mensagem de erro no meu sistema assim que as letras de crédito subiram. O que aprendi ultimamente é que pensamentos geram atos, atos moldam o caráter e esse define um destino. Talvez este ensinamento sirva pra nós como nação. Sinceramente, não sei, mas ainda não vou pedir pra sair.

[]s
Lucas Pedro
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3 comentários :

  1. Querido Lucas!!
    Eu não assisti ao filme mas acredito que mostra uma dura e crua realidade do nosso país...
    Talvez uma solução ruim para um problema pior, talvez uma opção numa encruzilhada de 2 maus caminhos, mas ainda sim, seguinte em frente...
    Há coisas que acontecem no nosso país que vão além da nossa capacidade em assimilar, ou mesmo digerir, mas o fato é que a realidade seja tão dura que provavelmente nos cale, como citou, mas que bom que você falou!

    Abraços,
    Eric Ammirati
    http://ammirati.blog.terra.com.br/

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  2. Querido Lucas!!
    Eu não assisti ao filme mas acredito que mostra uma dura e crua realidade do nosso país...
    Talvez uma solução ruim para um problema pior, talvez uma opção numa encruzilhada de 2 maus caminhos, mas ainda sim, seguinte em frente...
    Há coisas que acontecem no nosso país que vão além da nossa capacidade em assimilar, ou mesmo digerir, mas o fato é que a realidade seja tão dura que provavelmente nos cale, como citou, mas que bom que você falou!

    Abraços,
    Eric Ammirati
    http://ammirati.blog.terra.com.br/

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  3. é...
    Gostei muito do filme tecnicamente falando, direção, roteiro e tal.
    Gostei também do que veio dizer. Afinal nem tudo é um discurso pronto, como os filmes que falam exatamente da ditadura.
    No caso do "Tropa", fica a dúvida o pensamento, a análise para quem, como vc, está afim. Ninguém é o ideal de mocinho, não há pena de ninguém. Inclusive de quem assite.

    Pedir "pra sair" é fechar os olhos para tudo oq está lá, ou melhor, aqui fora.Quem, então, é q faz parte da Elite da tropa?

    grande texto Lucas
    JM

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