Não tem bicho não?

Vitor, meu filho mais novo, está com 2 anos e 8 meses, poucos meses atrás era só coragem, hoje, o quarto escuro o amedronta. A íncrivel capacidade de imaginar chegou, mas trouxe com ela o impiedoso medo, capaz de criar monstros em sombras de mochilas encostadas na parede, e desenhar nossos vilões tornando-os bem maiores do que na verdade são.

- Não tem bicho pai? – perguntou ele.
- Não tem bicho não! – respondi.
- Não tem não? – insistiu ele.
- Não tem, pode ir.

Este diálogo simples tem sido minha auto-terapia desde então. A cada manhã, a cada novo dia de trabalho, a cada dificuldade familiar, a cada provação. Repito comigo: - Não há bicho nestas sombras, ao menos que eu os crie para o meu próprio sofrer.

Quantas vezes me preparei, me defendi e me armei contra exércitos de inimigos imaginários: Chefes, clientes, companheiros de trabalho, parentes, caixas-de-banco, cobradores, contas, devedores e credores. Tensionei todos os meus músculos físicos e emocionais contra eles, para no fim, sempre me dar conta que são só pessoas, crianças como eu, com medo de sombras em quartos escuros.

Cansei desta brincadeira. Hoje quero brincar no quarto escuro com a mesma tranquilidade do quintal iluminado. Quero acender o quarto pra quem estiver com medo e dizer: – Olha! Não tem nada!

Segundo Leon Tolstoi um homem que carrega os ensinos de Jesus, leva sempre uma lanterna diante de si, a luz está adiante dele, sempre iluminando lugares novos e sempre encorajando-o a ir mais além. Não importa quão escuro esteja ao seu redor.

Pode ir.
Não tem bicho não!
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2 comentários :

  1. Saudades do cê meu véio!

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  2. Ah Leon Tolstoi sabia das coisas...

    É não tem bicho, não.

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