Narrativas para românticos idiotas

Num destes dias de ócio que servem apenas de ponte entre o natal e a virada do ano, estava eu, acompanhado da família, matando o tempo chuvoso num shopping do interior do estado de São Paulo, quando fui lembrado pela esposa de que o mega-filme Avatar de James Cameron estava em cartaz. Livre do tédio por alguns segundos, decidi pegar meus dois meninos a tiracolo e correr para a próxima sessão.

Como já esperava pelo meu histórico de infância regado a “Guerra nas Estrelas” de George Lucas, adorei o filme, a fotografia, a arte-conceitual , a computação gráfica de primeira e também o roteiro, a ponto de me emocionar com a performance de personagens modelados e animados em “pixels”. Porém, para minha tristeza, meu caçula de apenas três anos, não seguiu minha veia “nerd” e acabou pedindo para sair nos últimos minutos do longa-metragem. Saí da sessão frustrado, sem saber o final do enredo que espero não ouvir de ninguém até ver novamente com meus próprios olhos.

No dia de ócio seguinte me deparei com um artigo de Luiz Felipe Pondé para o Caderno Ilustrada da Folha, na qual ele considera o filme um besteirol romântico para idiotas. Confesso ter sido uma ofensa grave para um pai de família que no dia anterior tinha se emocionado com o enredo, justamente pelo autor do artigo considerar idiota a mensagem que mais me emocionou sobre o equilíbrio da natureza e a intervenção predatória do homem.

Me lembrei então da mensagem que compartilhei com minha família no dia 25 sobre a vinda de Cristo. A visão de João registrada em Apocalipse 12, na qual uma mulher vestida com o Sol e a Lua está grávida do Messias, mulher esta que representa toda a humanidade e toda a natureza recebendo e amparando o seu Salvador. Mulher-Eva, Mulher-Maria, Mulher-Humanidade que, num momento histórico, firma uma parceria milenar com seu Criador, trazendo para si o preço de ter como adversário o Dragão, Satanás, Lúcifer, o anjo que decidiu não servir para ser como o Criador e por isso lutou contra os céus, perdeu a batalha contra o grande guerreiro Miguel e foi lançado no Planeta Terra como derrotado. A visão ainda relata o dragão perseguindo a mulher, jorrando de sua boca uma correnteza para levar a vida da humanidade e seu Messias, porém, a própria Terra, Mãe-Natureza, assume também sua parceria com Deus e abre, entre a mulher e a correnteza, um abismo para tragar as águas mortíferas do Dragão. Messias, humanidade e natureza unidos com e em Deus a favor da Vida.

Pois é, após relembrar esta reflexão natalina e ter me emocionado com alienígenas em contato com a mãe natureza, preciso assumir. Sou um romântico degenerado que crê na regeneração de toda humanidade e de toda a natureza para honra e glória de quem as criou.
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