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O velho e a Serra do Mar


Era uma vez, um velho pescador, morador de uma pequena Ilha próxima a grande Serra do Mar. Seu nome devia ser José ou João, não importa. Sua fama sim, o marcava, no pacato vilarejo da Ilha, onde era conhecido por falar com Deus todos os dias, porém, nunca estar feliz, por não ouvir uma resposta. Alguns o chamavam de louco, outros o respeitavam, já muitos o ignoravam. Todas as manhãs, antes do sol surgir, ele preparava suas redes, seu pequeno barco a motor e se enfiava mar adentro para garantir seu sustento, enquanto tagarelava com o Criador, como um velho rabugento.

Mas nesta manhã tudo estava diferente, todo Vilarejo estava em luto, pela perda de nove moradores, nobres homens pescadores. O senhor Mar os havia engolido em uma forte tempestade noturna. Um amanhecer cinza cobriu aquelas famílias enquanto choravam a morte de seus entes queridos. Já o velho pescador, sensibilizado por aquelas vidas perdidas, deixou as redes e o barco de lado e caminhou até a praia, entrando no mar de corpo e alma. Há alguns metros da praia soltou-se no mar, deixando o corpo flutuar suavemente. Neste silencioso momento o velho fez a Deus o seu pedido mais veemente. – Te peço, Sinhô do Mar, que tire de mim e do povo, de hoje em diante e pra sempre, o que de nós mais incomoda, este medo terrível de viver que nós temo.

Com muita calma e sossego, nadou de volta até a praia, caminhou até sua casa pra preparar um sustento. Lavou seus pés na torneira do jardim, pegou um café na cozinha e atravessou sua humilde casa até a porta dos fundos. Olhou pro céu e pra Serra que cobria todo o horizonte. Sobre a linha que separava a Serra do céu, voava um diminuto beija-flor, sem muitas cores e encanto, sem brilho e sem graça. O velho o olhou com espanto um pássaro que pouco ele viu por ali. Sentiu o quanto pequeno era este pobre animal, sozinho nesta Serra colossal. E pra seu assombro ele ouviu, a voz de Deus lhe falar.

– É você, Velho, este pássaro, e toda a Vida é esta Serra que de tão grande não podes medir. Não podes viver sem medo por ser pequeno demais. Nem tampouco este povo que tanto vive a sonhar. São migalhas de vida que brincam de tanto criar. Hoje entendes meu velho o quão pequeno tu és e vê se aprende depressa que nada podes fazer se a vida um dia o levar.

Deste dia em diante o Velho foi só sorrir, pois entendeu de uma vez o seu tamanho e lugar, se fez seguro ao saber que só Deus pode dar, a segurança de vida, que todos vivem a buscar.


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2 comentários :

  1. Oi Lucas
    Gostei muito deste texto sobre o qual você já havia comentado numa vigília!
    Espero trazê-lo sempre à memória em momentos difíceis!!
    Beijão de sua irmã

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  2. gostei di mais da conta,parei no seu blog por cota da lista do melhor blog cristão,q bomver q o povo de Deus tem sido luz,nesta web q tem tanta futidade e poca coisa que edifica.parabens!

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