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Paráclito – Aquele que está ao lado


Certa vez, ouvi um jovem perguntar a um pastor evangélico sobre como devemos proceder ao ouvir uma experiência espiritual de alguém. O pastor, experiente, respondeu: - Experiências espirituais podem ser questionadas, mas nunca contestadas. Faço uso desta excelente resposta para relatar uma experiência espiritual pessoal.

Acordei, arrumei minhas coisas, entrei no carro e segui em direção à São Paulo para visitar um cliente. Mesmo antes de sair da cidade resolvi fazer algo que não estou acostumado. Desafiei-me a fazer uma longa oração. Digo desafio pois minhas orações, apesar de constantes, são curtas e pontuais. Mas o desafio imposto era passar por todos os 100 km da viagem em oração. Iniciei então um momento de agradecimento por toda providência de Deus, seguido de uma longa lista de pedidos e intercessões onde tentei me lembrar de todos parentes, amigos e conhecidos. Esta parte da oração estendeu-se por vários quilômetros.

Para qualquer cético, nada mais do que um homem falando sozinho dentro de um carro, talvez à beira da loucura. Confesso que pessoalmente também me senti sozinho, como se estivesse escrevendo um e-mail para um ser superior que não estava presente. E que talvez, quando tiver tempo, abrirá este e-mail e tomará conhecimento dos meus agradecimentos e pedidos. Algo parecido com uma criança ao escrever uma carta para o Papai Noel, crendo que este personagem exista e se importa com ela.

Mas algo mudou no momento em que passei a orar pela vida de minha irmã. Um leve sentimento de culpa surgiu, não por algo que eu tenha feito, mas por perceber o quanto amamos algumas pessoas e ao mesmo tempo demonstramos tão pouco este amor. Mas afinal eu estava orando e este era o momento ideal também para pedir perdão. Foi quando, ao pedir perdão por esta omissão, o monólogo se transformou em diálogo. Não sei explicar se percebi, senti ou ouvi um discreto sussurro que me disse – Eu te perdôo. Comecei então a chorar apenas por sentir esta presença. Eu já não estava sozinho naquele quilômetro da estrada. Então respondi – Obrigado. Novamente ouvi o sussurro – Visite-a hoje.

Cheguei ao destino e após o dever cumprido com o cliente, peguei mais alguns quilômetros de estrada para visitar minha irmã. Estava preocupado se ela estaria em casa, mas ao estacionar o carro, olhei para o final da rua e, coincidentemente, lá estava ela, neste exato momento, voltando para casa com meu sobrinho. Esta simples visita foi muito importante para ela e para mim. Mais do que qualquer coisa que julgamos importante nesta vida.

Voltei para casa aproveitando os quilômetros que faltavam para buscar de novo aquela santa companhia. Uma presença que nos faz entender o significado da palavra Santo. Santidade que nos traz uma alegria intensa, atrelada a um temor que nos leva a reverencia. Não o Deus que vive em um livro, mas o Deus que vive ao nosso lado. O Paráclito, o Auxiliador, o Consolador, o Espírito Santo: Maravilhosamente Presente, insuportavelmente Puro e incomparavelmente Amoroso.

Como disse aquele pastor, experiências espirituais podem ser questionadas, até mesmo criticadas, mas não podem ser contestadas.

“Portanto, como diz o Espírito Santo: Se ouvirdes hoje a sua voz, não endureçais os vossos corações...”
Hebreus 3:7-8
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