Divulgação

Oragindo


Certa vez, Jesus contou uma parábola aos seus discípulos para ensiná-los que o amor ao próximo deve ser traduzido em ações.

Diz, sinteticamente, a parábola encontrada no décimo capítulo do Evangelho de Lucas que certo homem foi interceptado por assaltantes. Estes roubaram suas roupas e o espancaram, deixando-o quase morto. Dois grandes representantes da religião da época, um sacerdote e um levita, passaram pela mesma estrada, viram o moribundo mas desviaram seus caminhos sem prestar o socorro necessário. Porém, um samaritano que também passava por ali assistiu-lhe em suas necessidades.

Essa parábola ficou conhecida como a “parábola do bom samaritano”. Contudo, nesse título fictício, criado por algum editor posterior e que não faz parte dos textos originais, já se demonstra uma tendência errada que os próprios cristãos costumam desenvolver quando observam alguém, ou uma entidade qualquer, executando uma ação que revela seu compromisso, ou sua responsabilidade em amparar uma parte mais frágil e necessitada. O desvio encontra-se no adjetivo “bom”. Jesus, ao oferecer essa ilustração, queria demonstrar que se espera, de maneira mais natural possível, que todos devem agir da mesma forma que o samaritano. E isso não o qualifica como uma pessoa boa, e sim, como alguém que fez o naturalmente esperado.

Jesus critica os religiosos da época por desassociarem a sua religião, ou a sua espiritualidade, das responsabilidades com a sociedade. As preocupações dos religiosos com rituais do templo sagrado e as de ordem particular ofuscavam sua percepção das necessidades sociais.

Essa crítica de Jesus ecoa até os dias atuais e continua a incomodar muitos ouvidos. Como visto no caso do adjetivo do título da parábola, aqueles que, assertivamente, desempenham suas funções com a sociedade onde estão  inseridos ganham destaques, como se estivessem fazendo algo surpreendente quando, no máximo, simplesmente entenderam e estão vivenciando a proposta de Jesus. Isso demonstra o desvio em que os religiosos atuais também se encontram.

Segundo a proposta cristã, a espiritualidade sadia e verdadeira se desenvolve no compromisso de relacionamento com Deus e também com o próximo, como regem os dois grandes mandamentos confirmados por Jesus a um perito da lei que levantou-se para colocá-lo à prova, em versículos anteriores ao da parábola em destaque.

Pode-se afirmar, conforme exposto, que não se admite uma espiritualidade genuína quando se está ausente e indiferente às questões sociais. Tais questões não se restringem às necessidades dos menos favorecidos mas se expandem para as diversas esferas como a educação, segurança, política, saúde, desigualdades sociais, entre outras.

O cristão desenvolve sua espiritualidade quando, conscientemente, se relaciona com a sociedade em que está inserido promovendo os valores do Reino de Deus, indo além de suas orações e práticas devocionais.

Pr. Joilson Evaristo
Share on Google Plus

3 comentários :

  1. UAU! Fazer o correto hoje em dia é mérito, quando deveria ser uma necessidade de cada um. E tem mais como Ele mesmo disse, não há sequer um que pode ser chamado BOM senão Deus.

    ResponderExcluir
  2. Este deve ser o motivo de nossa oração, sempre!
    Estarmos dispostos a amar e demonstrar este Amor Maior que Jesus nos ensinou!!
    AMÉM.

    ResponderExcluir
  3. Triste ver que ainda vivemos a fase de Laodiceia; cristãos mornos cujas atitudes causam enjoos. Os ritos eclesiásticos ainda fazem parte de nosso cotidiano desde quando despertamos, ao nascer do Sol, até ao adormecermos. A mudança deve começar de dentro; somente assim poderemos agir.

    Não quero entrar em mérito muito profundo para não alongar demais, mas - infelizmente - a própria questão da Salvação deixou a igreja acomodada; ignoramos os mandamentos de fazer o bem. Davi, Isaías e Pedro enfatizam bem essa necessidade. Fazer o bem para nos tornarmos bons, sacrificando o EGOísmo, vaidade e orgulho. Em suma, devemos sacrificar diariamente o amor próprio, que é claramente manifesto em nossos pensamentos e mais tarde nas mínimas atitudes, até mesmo em nosso olhar.

    Mas, graças ao nosso Bom Deus, a igreja já está começando a ver que muito do que se acreditava como suficiente para nossa salvação é apenas o começo para merecermos nosso galardão e atingirmos a estatura de varão perfeito.

    Fiquem com Deus na Paz de Cristo!

    Abcs,
    Davi.

    ResponderExcluir