Jesus X “Jesus”


Não gosto de publicar trechos de livros no Blog, mas este texto abaixo, de Francis Schaeffer no livro "A Morte da Razão" tem um gostinho de: "eu sempre quis falar isso, mas não soube me expressar". Pois é, o tal do Schaeffer soube. Vale a pena ler, reler e refletir:


"Cheguei ao ponto em que, ouvindo a palavra "Jesus" — que para mim se reveste de tanto significado por causa da Pessoa do Jesus histórico e Sua obra — fico a escutar cuidadosamente, porque, digo-o com tristeza, receio mais este vocábulo do que quase qualquer outro no mundo atual. O termo é usado hoje em dia como um emblema sem conteúdo a que se convida nossa geração a seguir. Mas não se lhe empresta sentido racional, bíblico, através do qual se possa testá-lo e, dessa forma, a palavra está sendo empregada para ensinar exatamente o oposto daquilo que Jesus ensinou. Inculca-se o termo e insta-se com os homens a que o sigam com fervor altamente motivado, e isto em parte alguma com intensidade maior do que na nova moralidade que resulta da Teologia Nova.

Atingimos, pois, a deplorável situação em que o termo "Jesus" se converteu num inimigo da Pessoa e do ensino de Cristo. Devemos temer este emblema sem conteúdo, que é a palavra "Jesus", não porque não O amemos, mas exatamente porque O amamos. Devemos combater esta bandeira sem conteúdo, com sua motivação profunda, enraizada nas lembranças da humanidade, que está sendo manipulada para os fins da forma e do domínio sociológicos. Devemos ensinar a nossos filhos espirituais a também assim procederem.

Esta tendência, que parece ganhar cada vez mais aceleração e momento, me leva a pensar se, quando Jesus disse que nos fins dos tempos surgiriam falsos Cristos, não tinha em mente algo como o que hoje se passa. Não devemos esquecer que o grande inimigo que está para vir é o Anticristo. Não é ele um anti-não-Cristo. É Anticristo. Cada vez mais, nestes últimos poucos anos, o termo "Jesus", despojado do conteúdo bíblico, se tem tornado o inimigo do Jesus da história, o Jesus que morreu e ressuscitou e virá segunda vez, o eterno Filho de Deus. Sejamos, pois, cuidadosos. Se os cristãos evangélicos começarem a ceder à dicotomia, separando o encontro com Jesus do conteúdo das Escrituras (inclusive do discutível e do verificável), sem o desejarmos entretanto, estaremos lançando tanto a nós mesmos como a geração vindoura no redemoinho do sistema moderno. Este sistema nos cerca como um consenso quase monolítico."

Por Francis Shaeffer
Clique aqui para ler o livro completo.

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1 comentários :

  1. Dois belos pontos levantados pelo autor:

    "as não se lhe empresta sentido racional, bíblico, através do qual se possa testá-lo e, dessa forma, a palavra está sendo empregada para ensinar exatamente o oposto daquilo que Jesus ensinou". "Devemos combater esta bandeira sem conteúdo, com sua motivação profunda, enraizada nas lembranças da humanidade, que está sendo manipulada para os fins da forma e do domínio sociológicos".

    Conceitos empregados por concílios políticos a fim de manipular a verdadeira Palavra, cujas ações da Igreja (católica) deixam rastros até hoje. E, infelizmente, não é somente da Igreja Católica que vemos isso; ao ler três versões diferentes da Bíblia, em muitos trechos notamos diferenças de texto e - em alguns casos - mudando completamente o sentido proposto. Sem contar crenças populares que nem existem na Bíblia, criadas unicamente para intimidar os fracos de espírito (e de dinheiro) para sustentar o poder imposto na antiguidade.

    Infelizmente, esses dois trechos são apenas algumas das muitas feridas que a Igreja carrega e até por conta disso a palavra Jesus hoje se tornou mais uma bandeira de um time do que uma ideologia de reforma mundial.

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