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Tudo aquilo que nos escapa


Há alguns meses senti um forte e estranho impulso de atirar com Arco e Flecha. Ainda não consegui decifrar o porquê. Talvez seja por conta dos filmes do Rambo que tanto assisti e brinquei na infância com meu amigo Fernando Sironi. Talvez seja por um motivo mais simbólico, pois o desejo veio logo após um período muito produtivo de terapia. Sinceramente não sei. O que sei é que não resisti e comprei o arco e as flechas depois de muita pesquisa e estudo. Um arco recurvo, do mais simples, pois segundo os praticantes experientes é ele que proporciona o chamado tiro instintivo.

Não me arrependi nem por um segundo. Atirar com o arco me faz muito bem. É preciso aprender e seguir uma técnica, mas, além disso, é preciso encontrar, intuitivamente, a sua própria forma de atirar. Soltar a flecha é, sem dúvida, o momento mais tenso do tiro. O momento onde tudo que estava ao seu alcance foi feito e agora é preciso simplesmente deixar a flecha escapar dos seus dedos. Quando ela escapa, nada mais está sob seu controle.

Refletir sobre este momento do tiro, me levou a relacionar uma série de coisas que nos escapam e que por muitas vezes nos desgastamos tentando controlar. Mais do que isso, entendemos que nosso raio de abrangência, que nossa capacidade de controle é infinitamente menor do que achamos. Entendemos que podemos controlar pouquíssimas coisas nesta vida. Mais ainda, aceitamos que o outro possui capacidades diferentes e que, por isso poderá fazer coisas diferentes e provavelmente muito melhores.

O arco mostrou meu diminuto raio de ação e por outro lado a amplitude daquilo que me escapa ao controle. A flecha me mostrou que posso direcioná-la por breves momentos e que, depois disso, tudo estará fora do meu controle outra vez. Ambos me ensinam a aplicar todo potencial nos raros momentos de controle e em seguida me livrar de toda a ansiedade nos diversos momentos onde as coisas não estão mais ao meu alcance. Justamente neste momento ficamos diante da grande encruzilhada: crer que as flechas que soltamos seguirão um caminho ao acaso ou crer que Deus, o grande arqueiro, controlará tudo aquilo que nos escapa.

Arme o arco com a flecha, faça a puxada, direcione e solte!
Todo o resto Ele controlará.

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