As cores do Reino

Vento - Van Gogh
Há alguns dias uma missionária entrou em contato comigo pelo Facebook, me pedindo para eu apresentar a cidade de Campinas para um amigo dela, também missionário. A princípio achei incômoda a tarefa, mas depois de alguns minutos de conversa, aceitei. Foram apenas três horas do meu dia. Peguei ele no Centro de Campinas, almoçamos juntos e mostrei pra ele alguns pontos importantes da cidade e também passei algumas dicas sobre trabalho e vida nesta cidade grande, mas com jeito de cidadezinha pequena do interioRRR.

No final deixei ele na rodoviária, voltei para o trabalho onde dediquei mais alguns minutos distribuindo o currículo do missionário para alguns contatos. Enfim, terminada a missão, tive a sensação de ter sido usado como um recurso para a vida daquele irmão em Cristo. A expressão "ser usado" normalmente é pejorativa mas, neste caso, me trouxe uma enorme sensação de bem-estar. Me senti alegre porque por algumas horas saí da minha rotina de vida, para me "gastar" pela vida de outra pessoa. Fui usado como ferramenta, como facilitador para esta vida alheia, mas me senti bem, pois não fui usado por ele. Fui usado por Deus e ao ser usado por Ele, pude ver o Seu Reino. Mais do que isso; me senti parte Dele.

Nos últimos anos, tenho me dedicado nesta sensível tarefa de enxergar o invisível e o intangível, em meio a tanto materialismo e objetividade técnica da vida moderna. Tenho buscado os vestígios do Reino que retocam os espaços vazios e incolores da nossa alma. Tenho me especializado na arte de ver o projeto infalível de Cristo, sendo tocado hoje pelo vento do Espírito. Tenho buscado me sentir neste mundo, mas cidadão de outro, planejado e colorido pelo Eterno.

Muitas vezes, nós cristãos tentamos aprisionar o Reino nas quatro paredes da instituição, mas ele é como um animal indomável, é fluído e escapa veloz pelos vãos dos nossos dedos manipuladores. O Reino de Deus não foi feito para ser domado, foi feito para nos domar, nos possuir e nos usar para a vontade de seu Rei. Nossa tarefa não é domesticá-lo, pelo contrário, é sermos domesticados por ele em amor.

Nossa tarefa é ver o Reino e, após ver, revelá-lo para as pessoas à nossa volta, assim como o profeta Eliseu viu os exércitos de Deus e orou para que seu servo também visse (II Reis 6).

Precisamos treinar os olhos da nossa alma para descobrir todas as cores do Reino de Deus.

Para sentir, ouvir e ser parte da pintura Dele.




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