Casamento no Gerúndio

Neste ano eu e a Ju completamos 14 anos de casados. Uma das coisas que não me esqueço na nossa cerimônia é que haviam dois mezaninos, um de cada lado do salão principal. Muitos convidados assistiam tudo lá de cima. No mezanino, a minha direita, estava um dos meus primos que mais me acompanhou em toda infância. Sempre que eu olhava em sua direção, ele pegava a própria gravata e a levantava, colocando a língua para fora, fingindo estar enforcado. Esta é a brincadeira mais comum dos amigos do noivo. Para o homem, casar é sinônimo de morrer para os prazeres da vida de solteiro. Em contraste, para a mulher, casar é sinônimo de realização. Mulher casada é mulher que foi pra frente na vida, que não encalhou.

Que horror! Não sei de onde tiramos essas lições e as encucamos em nossas mentes, pois assim transformamos o casamento numa fatalidade para os homens que casam e para as mulheres que não casam. Justamente por isso, há alguns anos, decidi mudar meu posicionamento com relação ao casório. Eu não me considero mais um homem casado, nem considero minha esposa uma mulher casada. Calma! Não somos um casal moderninho, livre de todas as regras sociais. O que fiz foi simplesmente colocar meu estado civil no gerúndio. Não estamos mais fatalmente casados, agora estamos sempre casando.

Apesar de todo gerundismo presente no vocabulário brasileiro, sempre apreciei muito o uso do gerúndio. Esta preciosa ferramenta de linguagem é capaz de abranger, de uma vez só, passado, presente e futuro. Afinal, quando digo que estou CASANDO, isso significa que eu estava, estou e continuarei a casar por um bom tempo. Significa que nada está resolvido, pelo contrário, tudo está em progresso e bem a salvo do assombrado comodismo da vida de casado.

Sonhos, projetos, valores, educação de filhos, finanças, sexo e mais uma infinidade de áreas do casamento, estão todas em um longo processo de aperfeiçoamento que durará até que a morte nos separe. Não importa mais se determinada área está resolvida ou não. O importante é que esteja melhorando e não piorando.

Em 2008, já com 9 anos de casado, me dei conta de que ainda havia muito pra casar. Percebi que boa parte das áreas do meu casamento estavam em declínio e que muitas funções que deveriam ser minhas, estavam nas mãos da Ju, que obviamente sentia-se sobrecarregada. Foi aí então que percebi que eu ainda não havia assumido o casamento em sua totalidade. Neste período, me dei conta de que casar é uma ação tão longa e complexa que tomaria toda a extensão da minha vida.

Enfim, estamos casando. Estamos casando também nossa fé. Hoje cremos que é Deus quem nos uniu e, olhando para trás, fica fácil perceber que foi Ele quem nos manteve unidos em todos estes anos. É ele quem nos sustenta físico e espiritualmente, pois somos falhos e instáveis em todo tempo.
Foi Ele ontem, é Ele hoje, será Ele amanhã e o que Ele uniu não separe o homem.

Transformai-vos!

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2 comentários :

  1. Lucas, me emocionei com o texto e com suas fotos.
    Que Cristo continue abençoando sua linda família!
    E muito obrigada por compartilhar seus textos aqui!

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  2. geovanete28.11.13

    Lucas Pedro, fiquei muito emocionada com este "testemunho" que vc escreveu. Seria bom que todos os casais do mundo lessem e aplicassem em suas vidas. Louvo a DEUS com toda gratidão do meu coração pelo filho que tenho. Vc é precioso demais para mim, para nós todos e para DEUS! Que vc tenha uma vida longa com muita saúde, que escreva muitas coisas boas e continue transmitindo esta Luz que vem de Jesus. Te amo muito, filho!!

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