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O Torneiro e seu filho

O pequeno menino se aproximou de seu pai que trabalhava em um torno mecânico. 
– Me ajude aqui. – disse aquele pai ao ver o menino. 
– Não consigo pai – disse o menino envergonhado. – É difícil pai! As ferramentas são pesadas demais e eu não sei usar o torno. Eu sou muito pequeno ainda. 
– Eu sei. – disse o pai com um sorriso nos lábios. – Mas eu só pedi para você me ajudar. Traga as peças pra perto de mim. 
O resto eu faço.
...
Duas coisas sempre me chamaram atenção nas parábolas contadas por Jesus. A primeira delas é o simbolismo por trás daquelas simples narrativas. Jesus revelou naquelas curtas histórias os mais complexos ensinos do que hoje chamamos de fé cristã. Teólogos de várias gerações quebraram, quebram e quebrarão as cabeças refletindo e discutindo o significado destas, aparentemente, simples narrativas.

A segunda coisa que me chama atenção nas parábolas é a profunda relevância delas para as pessoas daquela época, principalmente os discípulos de Jesus, que deveriam entender e registrar. Cristo, apesar de ser Deus e portanto, atemporal, teve o zelo de compreender a mente e o coração da humanidade, naquela época específica.

O joio e o trigo, o campo, as árvores, as sementes, o arado e tantos outros elementos faziam parte do dia-a-dia daquelas pessoas. Mais do que objetos; a opressão do império romano, a falsidade dos líderes religiosos, as superstições e tudo mais que permeava a mente daquela geração, era do total conhecimento do Mestre. Por isso sua mensagem foi tão relevante e então transformadora.

Fico tentando imaginar como seriam as parábolas de Jesus na Pós-Modernidade onde vivemos hoje. Percebo que como igreja, temos sofrido para sermos relevantes em nossa geração. Não estamos conseguindo, pois estamos presos em nossos dogmas e em nossa estrutura medieval da época em que a Igreja era autoridade estatal. Estamos desconsiderando que vivemos uma realidade muito mais parecida com a da igreja primitiva, do que com a Igreja dos nossos pais da reforma protestante. A fé cristã não tem mais autoridade sobre o homem pós-moderno, como teve há séculos. Este homem vê a fé cristã como um dos muitos caminhos para se enxergar o “Divino”, o “Sagrado”, seja isso verdade ou mito.

Como disse o pastor Ed René Kivitz em um palestra sobre a relevância cristã. “Precisamos deixar de ser proselitistas, para sermos dialogais”. Esta geração em que vivemos é plural: cética e mística, mas não é mais religiosa. Cabe aqui o questionamento do teólogo Dietrich Bonhoeffer sobre o tema: "Como é que a fé Cristã sobrevive a um mundo que não é mais religioso?"

Rascunhando uma tentativa de resposta, continuo na linha do pastor Ed René: Precisamos dialogar abertamente com esta geração. Com nossos filhos, nossos jovens e idosos, sejam eles liberais ou conservadores. Eles nos questionarão, eles duvidarão, eles crerão, ou não. Nós continuaremos dialogando e apresentando o Evangelho genuíno de Cristo Jesus. Não enfiaremos mais o evangelho, a força, nas mentes das pessoas. Não mais obrigaremos índios, negros e colonos a confessar a fé cristã por temer a opressão e a morte. Nós conversaremos sobre Jesus, andando com eles, vivendo com eles. E entregaremos ao Espírito Santo o papel que sempre foi Dele. Nós somos apenas aquele menino pequeno que não sabe usar o torno, mas que mesmo assim ainda pode ajudar.

Transformai-vos!


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