Atemporal

Estávamos voltando de um culto de domingo, quando meu filho mais velho disse: - Pai, já estou enjoado das historinhas bíblicas que a gente ouve nas aulinhas. Rapidamente, o mais novo apoiou, dizendo: - É verdade! São sempre as mesmas histórias. Eu deveria ficar preocupado, mas a verdade é que eu também passei por isso no final da infância. Os mesmos personagens, passando pelas mesmas situações e também os mesmos ensinamentos que nós já sabíamos.
No próximo domingo, combinei com eles que nós não iríamos na igreja, porém, disse que eu iria contar uma dessas histórias de uma forma um pouco diferente. Foi o que fizemos. Recontei a eles a conhecida narrativa de José do Egito, que está registrada na Bíblia, no livro de Gênesis, entre os capítulos 37 e 45. Primeiro expliquei a eles que somos seres temporais, que estamos presos no tempo, fincados no presente. Só lembramos o passado e desconhecemos o futuro. Porém, o Deus que cremos e adoramos é atemporal e por isso é capaz de ver toda história, assim como um homem vê todos os objetos e ferramentas em sua mesa de trabalho. O Deus que se revela na Bíblia, tem ao seu alcance todas as eras e gerações.
Após esta introdução, comecei a contar a história pelo fim. Naquele dia em que José se revela aos seus irmãos, no Egito. Naquele momento em que ele(temporal) compreende todo o caminho de sua vida, suas aventuras e desventuras, agora vistas pelas lentes de Deus (atemporal). Seus sonhos de grandeza, a túnica colorida e a inveja de seus irmãos. O poço, onde ele foi jogado e o exílio como escravo no Egito. Cada momento orquestrado por Deus.
Coube aqui algumas perguntas sobre a maldade dos irmãos de José. Eles não tiveram culpa por seus atos, uma vez que era da vontade de Deus levar José ao Egito? Sim, eles tiveram culpa, porque eles tinham inveja de José e queriam eliminá-lo. O que Deus fez neste momento foi apenas permitir, de forma controlada, a ação maldosa destes homens temporais. Do mesmo modo, Deus permitiu o testemunho falso da perversa mulher de Potifar, contra José. Por quê? Porque Ele queria José na prisão, para interpretar o sonho do copeiro de Faraó. Significa que esta mulher queria mesmo adulterar com José, mas Deus permitiu apenas o falso testemunho. Sua liberdade de ação não ultrapassou a soberana liberdade do plano de Deus.

Neste ponto da história, levantei também algumas questões que normalmente ficam veladas nas historinhas infantis:
  • Quer dizer que Jacó(temporal), pai de José, passou anos e anos, enlutado pela morte de seu amado filho, sendo que o mesmo estava vivo? Sim, Jacó(temporal) viveu enlutado por seu filho vivo.
  • A Bíblia conta se Deus(atemporal) confortou o coração de Jacó(temporal) durante todos estes anos de luto? Não.
  • José(temporal) sabia que havia um propósito para ele ser vendido como escravo? Não.
  • José sabia que havia um propósito para ele ser preso injustamente? Não.
  • Deus(atemporal), explicou estes propósitos para eles, durante a jornada? Não.
  • Deus, não deveria explicar? Não, porque Ele não deve nada a ninguém e faz tudo conforme o conselho da sua própria vontade.

Após responder estas abusadas perguntas, voltamos para a história naquela cena onde José, diante de seus irmãos prostrados, se emocionou, profundamente, não só por ver seus irmãos, mas por entender toda jornada de sua vida, traçada por Deus como providência na vida de toda sua família. Ele percebeu que o plano de Deus para sua vida era muito mais amplo do que ele poderia imaginar. Este plano incluía momentos difíceis e incompreensíveis que foram completamente justificados pelo propósito final do Criador.
A história bíblica de José, assim como todas as outras, foi registrada para revelar estes atributos de Deus. O Deus atemporal que pouco compreendemos, porém, que se revela soberano sobre toda liberdade, vontade e autoridade humana.

Seguem abaixo algumas palavras do Teólogo R. C. Sproul sobre este tema:
O que teria acontecido, na história do mundo, se Jacó não tivesse dado a José uma túnica colorida? Se não houvesse a túnica, não haveria inveja. Se não houvesse a inveja, não haveria a venda traiçoeira de José para os mercadores. Sem a venda traiçoeira, não haveria nenhuma descida ao Egito. Sem a descida ao Egito, não haveria nenhum encontro com Potifar. Sem o encontro com Potifar, não haveria nenhum problema com sua esposa. Sem o problema com sua esposa, nenhuma prisão de José. Sem a prisão, não haveria nenhuma interpretação dos sonhos de Faraó. Sem a interpretação dos sonhos, nenhuma elevação de José à função de ministro. Sem a função de ministro, nenhuma reconciliação com os irmãos de José, nenhuma migração do povo Judeu. Sem a migração, nenhum êxodo do Egito. E, sem o êxodo, nenhum Moisés, nenhuma lei, nenhum profeta – e nenhum Cristo.
Você acha mesmo que foi tudo um acidente?

Transformai-vos!



Você segura as rédeas sobre o sol e a lua

Como cavalos conduzidos por reis

Você cobre as montanhas, os vales abaixo
Com a amplitude de suas poderosas asas



Todos os tesouros da sabedoria e as coisas a serem conhecidas

Estão escondidos dentro de Sua mão
E na virada desses eventos
Você me pede para ser seu amigo


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2 comentários :

  1. Muito bom!
    Me fez pensar na minha vida... no sentido que tudo vai ter no final!

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  2. Pois é, filho, como é bom nos sentirmos seguros, sabendo que para tudo que vivemos existe um propósito nos desígnios de
    DEUS!

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