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Agridoce

Meu filho caçula, Vitor, tem tido dificuldades para dormir. Mais uma daquelas muitas mudanças de fases das crianças. Numa destas noites, eu estava deitado ao lado dele, quando ele pediu que eu segurasse sua mão. É muito prazeroso saber que nossos filhos gostam da nossa presença, que gostam do nosso contato físico e emocional. Porém, eu disse não para o seu pedido. Disse que estava ao seu lado, mas que ele precisava conseguir dormir sozinho novamente. Devo confessar que me senti um pouco maldoso por não estender minha mão, mas também havia uma sensação de; “estou fazendo a coisa certa”. Afinal, eu já estava ao seu lado. Senti que mais do que isso, já seria mimo demais.


Tenho me deparado com este sentir “agridoce” em muitas áreas da minha vida: educação dos filhos, casamento, trabalho, amizades e etc. Uma mistura de azedo com doce. Um desagradar, agradando. Um ajudar, sendo chato. Uma felicidade tímida, com uma pitada de tristeza moderada. Tenho aprendido, com isso, a encontrar prazeres onde normalmente não buscamos. Como sentir gosto em pagar uma conta de luz, afinal, é pagando ela que se tem acesso a muitos outros recursos. Sentir prazer, não só em conquistar mais um cliente, mas também em prestar um bom serviço, pois assim se mantém o cliente por mais tempo. Sentir prazer em privar os filhos de algumas regalias, pois é assim que se amadurece um coração.

Um paladar infantil sente prazer em gostos simples, já um paladar amadurecido sente prazer nos sabores mais exóticos. Um ouvido mais maduro sente prazer em notas dissonantes. Um coração mais maduro vai aprendendo a sentir outros prazeres que misturam aceitação com aprendizado e satisfação com privação. Prazeres agridoces. Prazeres maduros.

Um coração mais maduro, por sua vez, entende um Deus que não é um “Gênio da Lâmpada” pronto para satisfazer nossos desejos. Mas, O Pai que nos constrange em amor e implanta em nós sua Santa Vontade. O Deus que mesmo sendo misericordioso e gracioso, não é leniente e permissivo com nossos erros e desvios de caráter. O Pai que nos ama muito, mas que não negocia com nossos pecados. O Deus que nos aceita, nos livra do apedrejamento, porém, se coloca a nossa frente e nos diz: "Vai e não peques mais."
Um Pai agridoce.

Assim, como diz o Espírito Santo: "Hoje, se vocês ouvirem a sua voz, não endureçam o coração, como na rebelião, durante o tempo de provação no deserto, onde os seus antepassados me tentaram, pondo-me à prova, apesar de, durante quarenta anos, terem visto o que eu fiz.
Hebreus 3:7-9

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