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Discordando de Coélet

Kohelet, ou Coélet significa preletor, ou pregador. É o nome hebraico do livro de Eclesiastes, um dos livros poéticos presentes na Bíblia. Alguns atribuem sua autoria ao Rei Salomão, outros discordam disso. O que todos concordam é que foi escrito por um grande sábio da época.

Sempre gostei muito deste livro, por seu cru-realismo sobre a vida. Em suas linhas, o autor desmonta as nossas grandes ilusões sobre a vida, para apresentar uma realidade sóbria e lúcida, onde o temor a Deus deve ser nosso principal objetivo.

Um dos textos que sempre me intrigou neste livro, é este:
É melhor ir a uma casa onde há luto do que a uma casa em festa, pois a morte é o destino de todos; os vivos devem levar isso a sério!
- Eclesiastes 7:2


Esse texto é intrigante porque, para nós, tripulantes desta pós-modernidade hedonista, que corre em busca da felicidade a qualquer custo, este ensino é totalmente contraditório. Parece até o texto de um azarado na vida que, por inveja da felicidade alheia, escreve um texto, dizendo que o bom mesmo é estar triste e não viver as alegrias da vida.

Porém, o objetivo do autor de Eclesiastes, seja ele quem tenha sido, não foi desdenhar das alegrias da vida, mas ensinar que os momentos de grande tristeza, são os períodos da jornada que mais nos ensinam. Talvez a mesma lei natural que forja o aço, opere em nossas mentes e almas, nos tornando mais maduros, ao passar por estes vales sombrios da vida.

Há alguns anos, perdi dois sobrinhos, o Ian, durante o parto da minha irmã e a Maria Eduarda, filha da minha cunhada, Nayane. Enterrar pessoas idosas é algo triste, mas aceitável. Enterrar crianças é algo que está além das fronteiras das descrições. Coube a mim a dura tarefa de contar à minha cunhada Nayane, que sua filha havia morrido no parto. Envelheci uns vinte anos naqueles poucos minutos. Foi um daqueles momentos que a gente só se mantém em pé, pela graça de Deus. Depois de algum tempo, fiquei sabendo que minha cunhada precisou de tratamento para me encarar de novo, sem nenhum ressentimento.

Mas, o que aprendemos com o sofrimento, grande Coélet?

Aprendemos que a nossa vida e a das pessoas que amamos, são efêmeras demais. Aprendemos que as pessoas são importantes e que amá-las é a única coisa importante na vida. Em resumo, aprendemos a amar. O aço é forjado para se fortalecer e cortar. Já o ser-humano deve ser forjado para se fortalecer e amar. Este continua sendo o principal mandamento. A regra de ouro. O objetivo final. O supra-sumo do Evangelho de Cristo.

Mas hoje...
Murilo - 05/06/14

Hoje, eu discordo de você, grande Coélet?
Hoje, não acho melhor a casa onde há luto.
Hoje, festejo o nascimento do meu sobrinho Murilo!
Hoje, estou na casa onde há festa!
Hoje, é dia de celebrar!
Hoje, é tempo de amar!
Hoje, seja bem-vindo, pequeno Murilo!




Texto dedicado à família: Felipe, Nayane, Maria Eduarda e Murilo.

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1 comentários :

  1. Consegui me emocionar novamente com esse texto!
    Parabéns Lucas que Deus continue te usando!

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