Divulgação

Universo paralelo

Escrito por Jean Marcel

Este não é um texto de ficção científica ou com qualquer pretensão na área da física. Mas há poucos dias percebi que existem universos paralelos.

Enquanto escrevo, meu filho chega aos seus 20 dias de vida. Nas duas primeiras semanas estávamos num desses buracos no tempo. Percebi isso ao quebrar uma rotina de acordar, cuidar, dormir, cuidar, comer, cuidar, cochilar, cuidar. Ao sair para comprar uma refeição para o casal, liguei o rádio e lá estava ela, a propaganda política. Lembrei-me das eleições.  Em um ano com ânimos acirrados pelo pleito, com grandes reviravoltas, Pedro nasceu. Os 15 dias que se seguiram nos engoliram completamente. Não nos lembrávamos de nada a não ser resolver  o que nos apresentava todos os dias. Todos os que são pais sabem como é.
E fomos absorvidos por um mundo que não compreendia eleições, disputas ideológicas, preocupações vis. Não nos preocupávamos mais com que roupa estávamos, com que cara estávamos, se a casa estava lindamente organizada. Não ligamos a televisão, não lemos os jornais, não acessamos as redes como antes. Preocupávamo-nos com saúde, alimentação, sono e Pedro em tudo o que ele compreendia. Nesse universo não havia inflação, dólar, faixa de gaza, Ucrânia, campeonato brasileiro, memes, publicidade, militância, religião, religiosidade, filosofia, ebola, dinheiro. Havia apenas cuidar, de cada um e de todos. Havia amar, cansar e descansar. Era um mundo de necessidades básicas e sentimentos simples, sem julgamentos, sem rusgas. Sem as exigências deste mundo, voltamos ao básico da vida. Tudo por causa de uma criança.

Foi aí que me lembrei das palavras de Jesus “Meu reino não é deste mundo” “não vos conformei com este século” e finalmente “se vocês não forem como uma criança, não herdarão o reino dos céus”.

Jesus deixa claro em toda a sua trajetória terrena que aqui não era o lugar dEle, assim como não é o de quem o segue. Mas veio para cá para iniciar aqui seu Reino alcançando as pessoas. O mundo dEle é feito de amor e o seu reino aqui na terra somente surge quando este aparece. Sim, ele aparece. Por isso noutra oportunidade pediu ao Pai “Peço que não os tire do mundo (desta realidade), mas os livres do mal”. Aí é que são elas. O reino dEle, na realidade em que vivemos, surge quando agimos como Ele, amamos como Ele. Quando olhamos para o outro como o samaritano da parábola. Quando olhamos para os lírios do campo e lembramos que eles não se exasperam em ser, querer, parecer belos, mas Deus os veste com a roupa mais lindas. Que as aves não se preocupam, mas recebem seu alimento.  Não sermos ansiosos do que o nosso tempo, a nossa realidade nos oferece, ou teima em dizer que precisamos, quando precisamos realmente apenas amar como Ele amou. Por isso, apesar desta casa não ser a ideal, continuamos aqui. Não somos tirados desta realidade, pois precisamos exercer o reino nela.

Difícil tarefa. Às vezes é necessário lembrar-se do que realmente faz falta, às vezes precisamos ser levados a um universo paralelo para voltarmos à realidade deste mundo cônscios do nosso papel. Um universo no qual o amor é a única resposta, e se é simples como uma criança. Um universo onde não defendemos opiniões, apenas agimos com o sentimento necessário para o bem do outro. Um universo sem ansiedades vãs e preocupações fúteis. Por isso Ele disse que as crianças são o mais perto que temos de céu por aqui. É por isso que as temos, é por isso que as vivemos e é por isso que precisamos voltar para este século ou realidade, carregados delas e de seu universo paralelo para fazer a diferença e trazer um pouco do reino dEle pra cá.

Share on Google Plus

0 comentários :

Postar um comentário