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Tua vontade

Cristão, personagem do livro
"O peregrino" um clássico da
literatura de John Bunyan
publicado em 1678
Tenho assistido a série - Game of Thrones - uma superprodução global, recheada com uma rica trama, muitas cenas fortes de sexo e violência, porém, o que mais me chamou atenção, dentro daquele contexto de ficção medieval, foi o fato de que a maioria dos personagens não possuem controle sobre suas próprias vidas. São servos, servas, escravos, cavaleiros guerreiros, prostitutas e bastardos, todos súditos de algum nobre lorde ou do próprio rei. Alguns deles, inclusive, oferecem sua vida de modo espontâneo para algum senhor, tornando-se propriedade para satisfazer os seus desejos, por mais nefastos que eles sejam.

Este tipo de situação é muito indigesta para nós, tripulantes desta pós-modernidade, onde parece que nosso esforço maior está justamente na luta pela liberdade, autonomia e autossuficiência. Queremos ser donos do nosso próprio nariz, mesmo quando ainda não temos a mínima estrutura para isso. Não gostamos de nos submeter a nenhum tipo de regra ou hierarquia, seja no âmbito pessoal ou institucional.


Foi refletindo sobre este contraste entre o universo ficcional de Game of Thrones e o nosso universo real, que um verso de Paulo na carta aos Filipenses me desconcertou profundamente:

"...pois todos buscam os seus próprios interesses e não os de Jesus Cristo."
Filipenses 2:21

Paulo relata aos Filipenses que enviará Timóteo, um servo fiel, pois os outros discípulos tinham ido cuidar de suas vidas, de seus sonhos, projetos e planos. Este relato de Paulo me fez lembrar que algumas vezes tenho feito isso em minha caminhada como cristão. Disse comigo: - Opa! Jesus, aquele que chamo de Mestre, tem seus próprios interesses. Por sua vez, eu, que me chamo de seu servo, devo dedicar minha vida para cooperar na realização dos seus interesses, planos e projetos. Esta óbvia constatação me elucidou vários outros textos bíblicos que só fazem sentido neste contexto de Lorde e servo, de Rei e súdito. Qualquer outra interpretação bíblica que ignore este contexto vai omitir a missão de Cristo e transformar a fé cristã em algo vazio que, talvez, na pior das hipóteses, seja reduzido a um conteúdo de autoajuda incoerente.

Entretanto, nesta vida, dificilmente deixaremos de ter nossos sonhos, nossos desejos e planos. Faz parte de nós este interesse por realizar e desenvolver. Inclusive, a ausência disso pode ser traduzido como uma profunda depressão. O próprio termo - ego - normalmente citado de modo pejorativo, tem em seu significado psicológico uma função neutra, nem bom, nem mau, mas de equilíbrio mental.

Ponderando esta realidade com a verdade bíblica, deixei algumas questões me incomodando:
Diante dos nossos interesses e dos interesses do Mestre, quais terão a primazia?
Vamos conseguir dobrar nossos egos, interesses e joelhos diante do Rei?
Vamos nos permitir ser usados como coparticipantes de seu Reino? 
Ou vamos terminar a temporada com a ilusão de sermos livres, mas escravos do pecado?

Transformai-vos!





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1 comentários :

  1. Muito bom!

    "Antes de orarmos 'venha teu reino', temos que estar dispostos a orar 'que meu reino vá'". Alan Redpath

    O chamado de Jesus exige a consagração de tudo o que temos, de tudo o que somos!
    Então, para participarmos do Reino de Deus, devemos entregar a Deus, ao Rei Jesus, nossos reinos pessoais e particulares.

    Quão difícil é sermos destronados!

    "Dê me tudo. Eu não quero um tanto do seu tempo, um tanto do seu dinheiro, tanto do seu trabalho (...) Entregue todo o seu ego natural, todos os desejos que você julga inocentes, bem como os que você julga iníquos - todo o seu ser! E eu lhe darei o meu próprio eu; a minha vontade se tornará a sua vontade." C. S. Lewis

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