Medo da Inspetora

Sou da época de quando criaram o tal do RG Escolar – lembro-me muito disso. A Inspetora de alunos (uma mulher que tinha um olhar fulminante que penetrava os olhos e ia até a sua alma, e com isso sabia que você era o culpado por alguma travessura feita na escola), passava de classe em classe chamando os alunos para tirar uma foto. Caminhávamos pelos corredores da escola como se fôssemos mini soldados, ai de quem fizesse qualquer coisa naquele instante! Se fosse nos dias de hoje, diria que ia tomar uma havaiana de pau na nuca. Mas mesmo com esse olho de Sauron nos vigiando, gostávamos de aprontar.

Nos recreios, depois de uma merenda, inventávamos brincadeiras, e quanto mais causasse seria melhor, tínhamos uma rivalidade com a série acima da nossa, e em um desses intervalos estávamos no pátio e resolvemos brincar, nós contra a série rival e fazíamos assim: os meninos de cada série enroscavam os braços um nos outros formando uma barreira, e cada barreira ficava de um lado do pátio, saíamos correndo em direção ao encontro da outra barreira e as duas se chocavam, com pontapés e empurrões. Eu sei, era ridículo, mas divertido, divertido até a hora que alguém caiu e bateu a cabeça na coluna que sustentava o telhado do pátio, e esse alguém era eu.
Acordei com a minha irmã batendo no meu rosto gritando meu nome e um monte de gente olhando pra mim, minha cabeça explodia de dor e enquanto isso a inspetora olhou nos meus olhos e disse “Eu sabia que algum dia você ia aprontar assim!” Resultado: fui o único que foi para a diretoria, mas felizmente só levei um alerta da diretora.

Passei por muito tempo da minha vida achando que Deus era assim, um senhor com poderes incríveis que ficava o tempo topo esperando eu vacilar para me apontar o dedo e dizer “Eu sabia, pecador”! Eu ficava o tempo todo agoniado e me sentido um lixo toda vez que eu pecava e o mais interessante era que isso acontecia mesmo depois que pedia perdão. Era uma culpa que me corroía, que me mantinha refém dos meus erros. Achava que por causa do pecado cometido iria desencadear coisas ruins na minha vida. E nessa época eu não entendia o que é a Graça de Cristo.

Quando comecei a entender a Graça, o fardo começou a ficar mais leve. Não via mais Deus dessa forma, mas como alguém que quer me corrigir para que eu aprenda a amá-lo. É claro que o pecado traz consequências conforme a sua proporção. Por exemplo, se roubar e confessar o meu pecado, a consequência dele é eu ser julgado pelos homens, e serei preso, mas para Deus não há espaço e nem volume no pecado, não há uma medida, pois, qualquer pecado Ele abomina. No entanto, Ele se alegra quando abaixamos as nossas cabeças e dizemos para ele “Eu errei”. Não é Ele quem aponta o dedo pra mim, mas eu é quem me rendo ao que Ele quer para minha vida. Porque não há nada que eu possa fazer por ter recebido a Graça, não há nada que eu possa oferecer em troca, por isso eu me rendo e dessa forma Ele conduz a minha vida.

Quanto mais o tempo passa, mais reconheço que quem governa a minha vida é Cristo e quando eu não peco é quando Ele vive em mim. E Ele me ama incondicionalmente. Já a inspetora, não sei se ela me amava, mas sei que ela fazia isso pelo seu emprego, talvez até mesmo por cuidado. Mas estou convicto em dizer que Cristo cuida de mim e eu quero estar debaixo da Sua Graça.

Ora, nós sabemos que tudo o que a lei diz, aos que estão debaixo da lei o diz, para que toda a boca esteja fechada e todo o mundo seja condenável diante de Deus.
Por isso nenhuma carne será justificada diante dele pelas obras da lei, porque pela lei vem o conhecimento do pecado.
Mas agora se manifestou sem a lei a justiça de Deus, tendo o testemunho da lei e dos profetas;
Isto é, a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos e sobre todos os que creem; porque não há diferença. Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus;
Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus.
Ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus;
Para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus.
Romanos 3:19-26



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