Nada mais importa - Parte 2

"Desvaneçam-se as alegrias terrenas,
Jesus é meu!
Rompam-se todos os laços afetivos,
Jesus é meu!

O deserto é sombrio,
Na terra não há lugar de descanso.
Só Cristo pode dar-me felicidade.
Jesus é meu."

Hino antigo, entoado constantemente pelo missionário 
africano Samuel Kaboo Morris, responsável 
por um avivamento nos EUA, no século 19.
Um servo do Reino que entendeu muito cedo que
Nada mais importa!

Então Pedro lhe respondeu:
"Nós deixamos tudo para seguir-te! Que será de nós? "

Nestes quase 12 anos de blog, esta é a primeira vez que faço a continuação de um texto. Porém, o texto anterior - Nada mais importa! - não carece de uma continuação por um capricho pessoal do autor, mas pela repercussão que trouxe na igreja a qual frequento, pois tive a oportunidade de ministrar esta mensagem aos meus irmãos da fé. Dito isso, se você ainda não leu o texto, recomendo que o faça para entender o contexto desta continuação. A expressão radical - Nada mais importa! - provocou muitos comentários positivos, mas também alguns entendimentos perigosos, além de muitos questionamentos e desabafos sinceros. Isso teve gosto de sucesso, mas também de preocupação, pois algumas resoluções, tais como: - Acho que devo largar meu casamento para viver só o Reino! - e também alguns questionamentos, como: - Devo abandonar minha carreira para viver só o Reino? - são alguns exemplos de feedback que me fizeram continuar o tema.

Percebi que esta afirmação teve um efeito negativo, por levar alguns dos ouvintes a recordar as outras áreas importantes de sua vida, as quais demandam tanto tempo e energia físico-emocional. Podemos resumir em apenas duas áreas: a família, pois como bons latinos fomos educados a construir nossa vida em torno dela e depois disso a carreira com todos os nossos sonhos ocidentais de sucesso. Ironicamente, essas duas áreas me lembram dois jovens que estiveram de frente com Jesus, mas que não o seguiram. Um deles porque precisava sepultar seu pai (família), outro porque não quis vender tudo (carreira) o que tinha e dar aos pobres. Isso nos mostra como família e sucesso material são ídolos que atravessam milênios, sendo colocados muitas vezes em um altar mais alto que o de Cristo.

Neste momento, preciso dizer que partilho da mesma idolatria por essas duas áreas que citei acima e escrevo sobre o tema para partilhar dificuldades e paradigmas que são comuns a muitos cristãos. Além disso, escrevo para dizer que a consciência da primazia do Reino de Deus não nos leva a cometer atos arrogantes e inconsequentes para com as nossas famílias, nem mesmo o abandono extremado de nossos cuidados materiais. Pelo contrário, as outras áreas da vida continuam a ser tocadas, porém, a consciência de que o Reino e suas demandas são as mais importantes, torna essas outras áreas menos importantes e, portanto, as tensões e pretensões destas áreas diminuem.

Nesta linha de pensamento, as tensões dizem respeito às experiências negativas que enfrentamos em nossos relacionamentos interpessoais e em nossa carreira profissional. Todo estresse habitual tende a diminuir justamente porque não damos tanto valor nestas desilusões cíclicas e temporais do cotidiano. A chatice do chefe, a promoção que não veio e aquela persona non grata que sempre está presente. A lista é interminável, mas tudo se dissipa por meio da primazia devida às demandas do Reino. A tensão diminui a medida em que a cidadania espiritual toma conta e dissolve os altos valores que damos a essas desilusões habituais. Arrisco dizer que é neste sentido que Cristo afirma que seu fardo é leve e seu julgo é suave.

Já as pretensões dizem respeito aos aspectos positivos da vida terrena, nossos sonhos e planos, nossas altas expectativas quanto ao hoje e o que será do amanhã. A consciência de que o Reino e suas demandas são as mais importantes também diminui essas pretensões à medida que essas perdem seu lustroso brilho de realização. Aquela conquista que ontem significava tanto, fica hoje ofuscada pelo brilho da vida no Reino. A frase do homem mais importante do mundo, segundo Jesus, ecoa nos nossos ouvidos espirituais: - Convém que Ele (Cristo) cresça e que eu (João Batista) diminua. As pretensões do Reino devem diminuir essas altas pretensões sociais, profissionais e egoicas que regem a sociedade contemporânea. O emprego perfeito, a família perfeita, o apartamento perfeito e a viagem perfeita, tudo publicado na timeline perfeita, são algumas das altas pretensões que se dissolvem diante da realidade eterna do Reino.

Mas toda essa desvalorização para quê? Para nos tornarmos cristãos alienados?

Não! O aliviar das tensões e o esvaziar das pretensões, no contexto da fé Cristã, não tem como objetivo uma vida Zen alienada, pelo contrário, essa transformação da consciência tem como propósito nos colocar como servos, ajoelhados diante do Rei para cumprir suas pretensões e vivenciar as tensões próprias do labor no seu Reino. Não é preciso abandonar a família e suas demandas, mas apenas entender que ela não pode obstruir sua função no corpo de Cristo. Não é preciso abandonar sua carreira, mas é preciso dar a ela seu devido lugar onde não sufoque sua carreira cristã, com seu chamado pessoal, para servi-lo nesta geração.

Como vive esse cristão após ter as tensões e pretensões minimizadas pela primazia do Reino?

Ele se torna predisposto, disponível e apto para vivenciar sua Cidadania Espiritual. Predisposto por entender que nada é mais importante do que o Reino. Disponível pois suas demandas pessoais não sufocam sua vocação. Apto pois é capacitado pelo poder de Deus, por meio da presença do Espírito Santo.

Servos predispostos, disponíveis e aptos para anunciar o Reino de Deus.
Nada mais importa! 


Jesus lhes disse: ... todos os que tiverem deixado casas, irmãos, irmãs, pai, mãe, filhos ou campos, por minha causa, receberão cem vezes mais e herdarão a vida eterna.
Mateus 19:27-29
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