Eleição Incondicional | TULIP 2 DE 5


O segundo ponto, o U da Tulip, U de Unconditional Election (eleição incondicional).
Este segundo ponto é um dos mais discutidos no meio cristão, por ser o ponto que divide os cristãos em pelo menos dois grupos. De um lado aqueles que discordam, por entender que Cristo morreu por todos, dando a todos a oportunidade de se redimirem por meio Dele. Do outro lado aqueles que concordam com a eleição e entendem que o ato salvífico de Cristo foi para aqueles que o Pai de antemão escolheu conforme a sua perfeita vontade.

O segundo grupo, ao qual pertenço (não com muita consistência), entende pelas interpretações do texto sagrado que seria impossível ao homem tomar a decisão de aceitar a Cristo, estando ele espiritualmente morto em seus pecados, mergulhado na sua situação de queda. Para nós reformados, até mesmo nossa fé só pode ter vindo do próprio Deus, pois por nós ela não poderia ter sido gerada.


Pois aqueles que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou, também chamou; aos que chamou, também justificou; aos que justificou, também glorificou.
Romanos 8:29,30

É importante admitir que esta forma de entender a salvação em Cristo pode gerar algumas anomalias na prática da vida cristã. Infelizmente, já vi cristãos reformados tomando o papel de Cristo ao julgar que certas pessoas não são eleitas e que outras são eleitas apenas pelas aparências externas. Também já pude perceber que a prática da evangelização muitas vezes é ignorada por entender, de modo errado, que a eleição incondicional descarta a necessidade de nosso trabalho de comunicação do Evangelho ao próximo, quando na verdade ela engloba nossa participação.

Por outro lado, crer na eleição incondicional nos leva a entender que nunca fomos e que nunca seremos merecedores da misericórdia de Deus. Nos leva a uma consciência clara de que é somente pela Graça Dele que fomos resgatados, pois não há nenhum mérito em nós mesmos. Crer na eleição incondicional do modo correto nos leva a dobrarmos os joelhos e curvarmos nossas cabeças não só em um ato de servidão, mas também com um sentimento de que muito pouco sabemos sobre os mistérios de Deus. Nos leva a obedecer o IDE de Jesus entendendo que não cabe a nós julgar aos outros, mas somente comunicar o Evagelho de Cristo, com diligência e amor pelas almas.

"Minha oração não é apenas por eles. Rogo também por aqueles que crerão em mim, por meio da mensagem deles, para que todos sejam um, Pai, como tu estás em mim e eu em ti. Que eles também estejam em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste. Dei-lhes a glória que me deste, para que eles sejam um, assim como nós somos um:eu neles e tu em mim. Que eles sejam levados à plena unidade, para que o mundo saiba que tu me enviaste, e os amaste como igualmente me amaste. "Pai, quero que os que me deste estejam comigo onde eu estou e vejam a minha glória, a glória que me deste porque me amaste antes da criação do mundo.
João 17:19-24

É inegável que esta forma diferente de crer na salvação altera a forma como trabalhamos no Reino de Deus. Apesar disso, esta divergência não deve ser motivo de contendas entre nossos irmãos que interpretam os textos de outras formas, muito menos de arrogância e prepotência de ambos os lados. Acima de tudo devemos manter vivo em nossas mentes que nosso entendimento da Palavra de Deus é falho e incompleto, pois esta consciência nos manterá humildes e submissos ao agir soberano de Deus em nossas vidas.

Ó profundidade da riqueza da sabedoria e do conhecimento de Deus!
Quão insondáveis são os seus juízos, e inescrutáveis os seus caminhos!
"Quem conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi seu conselheiro? "
"Quem primeiro lhe deu, para que ele o recompense?
Romanos 11:33-35




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