O post, a selfie e o Self.

Por Lucas Pedro Transformai-vos - fevereiro 01, 2016


O post, a versão digital daquela garrafa na qual se coloca uma mensagem e a lança no oceano, na esperança de que alguém a encontre.
A internet é este mar repleto de garrafas aguardando quem as alcance.
A selfie, este ato infame, criticado na mesma quantidade em que é cometido, acaba por ser a expressão mais primitiva deste oceano digital.
É a mensagem na garrafa que diz: "Eu existo! Este sou eu.".
É a versão possível e tecnológica do espelho da rainha malvada que pergunta: "Existe, espelho meu...".
Calma, não estou aqui pra julgar o pecado que também cometo. Até porque ele tem seu sentido profundo. A selfie é a versão pós-moderna da mão pintada na caverna.
É a expressão instintiva do ser que se registra na história porque se sente parte dela e por isso quer ser lembrado.
Afinal, só nosso rosto é capaz de expressar, sem linguagem, um pouco daquilo que herdamos e guardamos dentro do DNA e da Alma.
As dores e sabores, os afetos desafetos. 
O rosto é o registro da gene combinada de dois sangues que se cruzam e formam um ser capaz de se expressar, ainda que errôneo, ignorante e incoerente.
Porque, bem antes de qualquer modismo tecnológico ou julgamento contemporâneo, só há o humano, atemporal em si mesmo.
O Self puro, nítido, sem máscaras, nem garrafas.
Eu. 
Você. 
Nós. 
Agora, na história.

  • Compartilhe:

Você também pode gostar:

1 comentários