Ânimo, onde?


No final do ano passado iniciei uma dieta. Na verdade, foi a primeira vez que fiz uma dieta de emagrecimento. Junto com a dieta resolvi também tirar meu corpo do sedentarismo. Dois objetivos difíceis, especialmente num momento em que eu me encontrava tão desanimado. Na verdade, estava sem ânimo pra tocar qualquer objetivo. Senti um despropósito em todas as áreas em que me encontrava envolvido e fiquei aterrorizado ao perceber que não poderia abandonar a maior parte delas. Inclusive, senti um grande despropósito nos projetos que estou envolvido na Igreja e no Reino de Deus. Me desinteressei até mesmo por este blog que toco há tanto tempo, com todo carinho.

Simplesmente não sabia como reencontrar ânimo para continuar. Por um tempo dei continuidade a tudo, como um robô, fingindo estar animado. Depois de algumas semanas, estava me sentindo como uma fábrica com as máquinas ligadas, rodando, mas sem matéria-prima. Uma gráfica girando as impressoras sem papel, nem tinta. Uma batedeira girando as hélices em uma bacia vazia. Ligado, sobrecarregado, mas vazio.

No meio disso tudo, não me pergunte como, mas consegui tocar a dieta e os exercícios físicos. No início, como não havia força para me jogar ao chão e fazer dez flexões, me apoiava numa mureta e ficava ali sustentando meu corpo, por poucos segundos. Fiz isso por dois meses, religiosamente, até perceber que já era possível flexionar os braços. Foi aí que aprendi, com estes exercícios geriátricos, que o meu ânimo poderia voltar para as outras áreas da minha vida. Sem excessos, sem lesões. Lentamente!

Quanto ao meu despropósito espiritual, me dei conta do óbvio. Este ânimo nunca viria de mim. Eu precisava pedir. Pedir o Fôlego, o Sopro, o Pneuma, o Espírito. Não era a primeira vez que eu havia me perdido na ideia de que podemos tirar de nós o ânimo para tocar a vida no Reino de Deus, como se este trabalho fosse mantido por performance e mérito. Como se, lá na frente, eu pudesse dizer que sou um trabalhador esforçado e digno. No Reino de Deus não funciona assim. No Reino somos impactados constantemente com a lição que, longe da Videira, os ramos não podem fazer nada.

Então orei, pedi, orei de novo e pedi de novo. Pedi a presença do Ânimo, do Paráclito prometido por Jesus, para tocar as poucas e pequenas, mas boas obras que ele me reservou. Debrucei meu coração sedento de ânimo sobre Ele e fiquei lá por um tempo, sem muitas flexões, sem lesões. Debrucei sobre Ele todo meu julgo, sem propósito aparente. Debrucei sobre Ele tudo que eu não sou, com todas as distorções de caráter, meus pecados e as idiossincrasias permanentes. Me relembrei que nada no Reino vem de mim. Nem a fé, nem vontade, nem a coragem, nada. Porque Dele, por Ele e pra Ele, são todas as coisas.

Ânimo! Venha, eu te peço. Amém.

"Eu sou a videira; vocês são os ramos. Se alguém permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; pois sem mim vocês não podem fazer coisa alguma." - João 15:5




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