Somebody to Hate

Por Transformai-vos - março 18, 2019


Me perguntaram sobre os games violentos. Perguntaram se eu acho que eles influenciam as pessoas à violência. Respondi que sim e me entreguei como uma pessoa violenta, porque eu jogo desde sempre e, hoje, permito que meus filhos joguem também. Calma! Antes de você me julgar, gostaria de falar sobre minhas avós, Gilda e Erotides. Fica tranquilo, no final você vai entender.

Houve uma época que minha vó, Gilda, dormia de sexta pra sábado em nossa casa. Eu adorava quando chegava a sexta. Hoje eu sei verbalizar o porquê. Meu pai, minha mãe, minha irmã e eu cuidávamos juntos dela. A gente assistia os programas que ela gostava. Ela gostava de violência! Luta-livre na Band. Eu adorava ver aqueles caras se espancando, com ela. Mas, antes de dormir, meu pai fazia mingau de aveia pra ela e também pra nós. A gente cuidava dela e se cuidava. Havia afeto!

Também adorava quando minha vó Erotides vinha de Araçatuba passar alguns dias com gente. Ela dava trabalho para os meus pais, mas pra minha irmã e pra mim, era uma maravilha. Ela lavava todas as louças. Ela adorava cantar hinos e arriscar umas músicas no piano. Havia afeto.

Em meio a tudo isso, o videogame entrou muito cedo. Começou com o Atari, depois o Mega-Drive, depois o Nintendo, nos quais a gente já matava uns oponentes virtuais. Mas a violência chegou mesmo quando ganhei meu primeiro computador e instalei o tal do DOOM. Mais pra frente o Duke Nukem, no qual, além da violência, também havia um pouco de sacanagem.

Porém, toda aquela violência digital explícita nunca foi forte o bastante para ganhar do afeto que havia na nossa casa. Nunca foi um lar perfeito, longe disso, a gente tinha problemas. Mas havia afeto, havia cuidado. Neste contexto, o videogame fica limitado ao seu escopo de entreter. É como um brinquedo que a gente pega, usa e depois deixa de lado.

Em outras palavras, o que estou dizendo é que o problema não é o game violento que os jovens consomem, mas a vida sem afeto que muitos deles vivenciam em seus lares. Uma família sem afeto, misturada a uma rotina mergulhada em metralhadoras e pedaços de corpos voando, formam um terreno emocional para todo tipo de descaso e maldade. Soma-se a este terreno o clima superficial e hostil das redes sociais, dos fóruns e dos vídeos com ideologias extremistas criadas por pessoas que só buscam desesperadamente alguém pra odiar, seja em nome de Allah ou do próprio Jeová.

Parodiando aquela música do Queen: 
Somebody 
Somebody
Ohh somebody
Somebody
Can anybody find me 
somebody to HATE?



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1 comentários

  1. Concordo. Não são os jogos violentos sozinhos que levam os jovens à violência. É um conjunto de circunstâncias. O progresso cria "necessidades supérfluas". Como consequência vem o consumismo exacerbado de supérfluos, que levam casais a trabalharem, as vezes ate em dois empregos. Consequências: pais cansados, estressados, ausentes, terceirizam a educação, o cuidado, a atenção, o amor, etc...
    Crianças ficam expostas ao transporte escolar, ao ambiente da escola, à tv, à internet na mão 24 HS por dia, aos coleguinhas no condomínio, aos passeios e excursões com monitores, às escolas de natação, ingles, música, dança, etc... Aliado a isso tudo o individualismo leva casais à separação para cada um ser feliz do seu jeito com quem quiser, sem consideram o outro, sem nenhuma preocupação com os filhos. Lares desestruturados, pais ausentes, "vários" pais (vários casamentos)....e por aí vai....
    Enfim, em resumo, concluindo, falta DEUS.

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