Desmonte, festejo e levante!



Outro dia, ouvia uma radialista na casa dos cinquenta anos falando sobre seu passado. Perguntou ela: - Sabe aquela fase besta dos quarenta anos? Pois é! Essa pergunta ofendeu este quarentão que vos escreve e, por isso, me sinto no dever de defender esta categoria de quarentão na qual me encontro.

Em primeiro lugar, preciso falar sobre o processo mais difícil, porém edificante, desta etapa da vida. O desmonte. Isso mesmo! Desmonte, desmanche, desconstrução... Esse processo no qual precisamos revisitar aquelas visões da juventude sobre a vida madura, aquelas altas expectativas e suas previsões esperançosas sobre o futuro. Se os trinta foram os anos do presente, do agora ou nunca, fica claro que os quarenta são os anos do futuro que chegou. Sendo assim, este é o momento ideal para rever a visão de si mesmo e alcançar a grandeza de abandonar o que foi proposto mas não foi alcançado por incapacidade ou porque a maturidade transformou aquela visão em algo raso e infantil. A quarta década é esta fase de olhar pra si mesmo e deixar-se ser o que tornou e entornou. É a fase de encarar que a realidade é bem mais complexa do que aquela imaginada na segunda década. É a hora de, uma vez por todas, deixar a inocência juvenil ir embora pra visitar novos debutantes da vida. É hora de desmonte.

Mas, antes que me chamem de pessimista, preciso dizer que é neste lugar onde devemos festejar o que se formou. Olhar pra si, olhar pros feitos, pros defeitos e desfeitos e aceitar com gratidão o que está posto. Celebrar! Não a irrealidade dos sonhos juvenis, mas tudo aquilo que conseguimos empreender dentro do nosso pouco espaço de liberdade e capacidade real. É isso! Festejar a realidade! Celebrar inclusive essa capacidade de se reinventar e de traçar novas rotas quando os montes da realidade se avolumaram à nossa frente. Celebrar, não a destreza de bater, mas a capacidade de resistir às pancadas do real. Celebrar aos quarenta é a exposição pública da gratidão por estar vivo, ativo e operante, diante e apesar do rumo que a vida tomou. É hora de celebrar com a maturidade e a humildade de quem conhece o mar da vida.

Não por fim, mas após o desmonte e o devido festejo, vem o processo de levante contra a apatia, contra o comodismo, contra o modelo pronto e definitivo de si mesmo. É a hora de olhar pra frente! Alçar velas e sonhar de novo, fazer novos planos, agora amadurecidos pelo crivo dos anos. Hora de buscar novos ventos que nos levem pra quem somos, agora menos preocupados com as demandas de fora e mais ocupados com a genuinidade de dentro. Sabendo que à frente não nos esperam arco-íris, mas as simples realidades com as quais já estamos acostumados. Preciso dizer que ainda não estou neste processo de levante. Apenas o vislumbro com vontade de alcança-lo.

Ensina-nos a contar os nossos dias, de tal maneira que alcancemos corações sábios. (Salmos 90:12)



Desmonte, festejo e levante! Desmonte, festejo e levante! Reviewed by Transformai-vos on setembro 23, 2019 Rating: 5

Um comentário:

  1. A vida tem que ser este ciclo de desmanche, festejo e levante! Ótima reflexão!

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